Você já teve a experiência de um dia que nunca parece estar no caminho certo? Onde muitos problemas se acumulam e você não consegue lidar com isso? Onde há um sentimento subjacente de frustração, falta de foco, descontentamento com tudo e todos?
Sim. Todos nós já tivemos.
Não estou afirmando que essa é a única explicação ou a melhor para se adequar à situação de todas as pessoas, mas pelo menos falando por mim, descobri que qualquer dia que não comece com um momento de oração silenciosa quase sempre “dá errado”. Deste jeito. Por outro lado, quando levanto cedo o suficiente para ter tempo o bastante para as Sagradas Escrituras e parte do Ofício Divino, o resto do dia pode se tornar muito difícil, mas nunca é “fora dos trilhos” ou “impossível”.
São Tomás de Aquino gostava do seguinte axioma: “O que é último em execução é o primeiro em intenção.” Ou, como os antigos dizem de maneira ainda mais sucinta: respice finem, “olhe para o fim”. O axioma nos diz que, independentemente do que queiramos alcançar no final, isto deve ser a primeira coisa em que pensamos e pretendemos fazer, de modo que o poder dessa intenção nos conduz através do enorme número de etapas intermediárias entre onde estamos agora e onde esperamos chegar.
Em nossa vida humana como um todo, o fim é a visão face a face de Deus no céu, na companhia dos anjos e santos. E alcançar esse objetivo significará ordenar, harmonizar e integrar incontáveis etapas intermediárias desde esse momento até o nosso último suspiro. Para fazer isso, precisamos não apenas da graça de Deus (que é o principal requisito!), Mas também de nossa intenção consciente desse fim comum, para que nossas ações diárias possam ser coerentes e intencionais. Simplificando: se estivermos procurando por “significado no caos”, encontraremos apenas vendo tudo sub especie aeternitatis, à luz da eternidade, do nosso objetivo final.
É isso, então, quem começa o dia com a oração realiza efetivamente a preparação antecipada da “ordem do início até o fim” no que quer que aconteça naquele dia; fá-lo na presença de Deus, que está encarregado de tudo; e pede que Sua graça continue conectando o dilúvio interminável de eventos, incluindo os sofrimentos que isso trará, com a fonte imutável da vida.
Deus, nosso fim último, é alcançado através da oração, na qual, por Sua graça, entramos mais profundamente no mistério do amor doador que Ele derrama em nós no batismo e em todos os sacramentos. Sem oração, poderíamos (por um tempo, de qualquer forma) “ter” essa união com a Santíssima Trindade objetivamente, mas não seria o lugar de nossa habitação, e muito menos a atmosfera que nossos pensamentos e desejos respirariam. Quando entramos conscientemente nessa união, atraímos de Deus, para quem nada é impossível, a força para fazer todo o trabalho que Ele nos pede em qualquer dia.
Encontro enorme conforto e propósito ao ler silenciosamente as palavras da Sagrada Escritura todas as manhãs, enquanto passo devagar o livro, versículo por versículo ao longo dos meses, pedindo ao Senhor que me ensine o que Ele quer que eu ouça e como posso servi-lo… Ame-o, sofra por ele, melhor do que antes, mais do que antes. Encontro grande consolo e propósito em rezar as Primas e em ajudar, sempre que possível, no Santo Sacrifício da Missa. Essas realidades sólidas são como as “colinas eternas” das quais a Bíblia fala: permanente, estável, sólida, algo sobre o qual o homem não tem controle. “O esplendor luminoso de vosso poder manifestou-se do alto das eternas montanhas.” (Sl 75, 5).
Nem sempre é possível fazer muitas coisas, mas devemos tentar fazer a “única coisa necessária”, ou seja, sentar aos pés de Nosso Senhor e mergulhar em Suas palavras, Sua presença, no início de todo e cada dia.
Do site LifeSite News
Tradutora: Yngrid Alencar