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Rezar mesmo sem vontade?

Salve Maria Puríssima!

Perguntas comuns entre os jovens são: Devo rezar mesmo sem vontade? Mesmo quando estou me sentindo “pra baixo”?

Antes de chegar à resposta é preciso entender o que é a oração e quais suas consequências.

Quanto mais nos aprofundamos no sentido da oração mais entendemos a sua importância. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2558, diz que a oração é uma “relação viva e pessoal com o Deus vivo”. Através dessa relação nós elevamos a nossa alma a Deus e nos unimos a Ele.
Nós sabemos que, quanto mais nos relacionamos com alguém mais ficamos parecidos com a pessoa. Com Deus não é diferente, à medida em que nos unimos a Ele mais parecidos com Ele ficamos, a diferença é que Deus não se corrompe devido a nossa miséria nessa união, pois Ele é imutável.
São Padre Pio disse que “a oração é o oxigênio da alma”, porque assim como o corpo precisa de oxigênio para viver a alma também precisa de oração! Do contrário ela morre e exala mau cheiro, como bem nos ensina Santo Afonso Maria de Ligório:

“Assim como o corpo não pode viver sem a alma, assim a alma sem a oração está morta e exala mau cheiro’. Disse ‘exala mau cheiro’, porque quem deixa de recomendar-se a Deus, logo começa a corromper-se”. [1]

Por isso, como também diz Santo Afonso, “quem reza se salva, quem não reza se condena”. Quem reza busca estar unido a Deus e em conformidade com a sua vontade, é então iluminado pela graça e recebe do Alto a força necessária para enfrentar os desafios da nossa salvação. Já quem não reza permanece no seu próprio nada, é movido pelos seus instáveis sentimentos e extintos, sem estar unido a Deus e logo perecerá.
Na oração nós damos de beber ao Deus sedento e, na verdade, somos saciados por Ele. Cristo vem a nós como foi a samaritana e nos pede “Dá-me de beber” (cf. Jo 4,7). Qual tem sido a nossa resposta?

“A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dEle” (CIC – 2560)

Deus nos busca muito mais do que nós buscamos a Ele, quando na verdade somos nós os doentes que precisam procurar a cura. Até mesmo no alto da Cruz o Senhor exclamou, “tenho sede!”. Na oração temos a oportunidade de saciarmos a sede desse Deus. Assim faremos ou agiremos como o soldado que respondeu ao doce amor de Cristo com o gosto azedo do Vinagre, só porque estamos sem vontade de rezar?
Pensemos bem, é muito fácil rezar quando estamos bem-dispostos e tudo ocorre nas mil maravilhas. Que recompensa teremos? É na dificuldade, na aridez do deserto espiritual que provamos o nosso amor.

Um dia, Santa Teresa d’Avila se encontrava num estado de aridez espiritual terrível. Por ser religiosa, ela tinha a obrigação de adorar ao Senhor Jesus por pelo menos uma hora no seu dia. Santa Teresa, sabendo da sua pouca vontade de adorar a Jesus naquele dia, pediu às suas irmãs que trancassem a porta da capela pelo lado de fora e que só abrissem quando tivesse passado uma hora. Assim o fizeram. A Santa sem nenhuma vontade de rezar, começou a contar os tijolos da capela, um por um. Terminada então a sua hora de adoração, as irmãs abriram a porta da capela e ela saiu. Alguns dias depois, Santa Teresa percebeu que sua aridez espiritual havia sessado e uma enorme paixão pelo seu Divino Esposo havia tomado conta do seu coração. Ela naquele dia foi adorar a Jesus com um amor que nunca havia sentido antes. Em um determinado momento de sua adoração, a Santa apaixonada interrogou Jesus dizendo: “Meu doce Jesus, qual foi o dia que Tu mais me amaste?”. Ela ouviu imediatamente a resposta de Jesus: “Teresa, o dia que eu mais te amei, foi aquele dia em que tu não querias me adorar, mas só para permanecer na minha presença, ficastes contando os tijolos da capela.”

O Senhor não vê tanto o tamanho das nossas obras e sim o amor que usamos para empreende-las. Jesus se alegrou com Santa Teresa pois mesmo sem vontade de rezar ela venceu a si mesma para ficar ao lado de Jesus. Que possamos iluminados por esse exemplo nos esforçarmos para não abandonarmos a nossa vida de oração, na certeza de que Deus vem em nosso auxílio para também nos sustentar!
Assim, fica fácil entender o porque se deve rezar, mesmo que sem vontade. E será que todos esses exemplos não nos enchem o coração com o desejo de rezar? É muito mais do que cumprir tabela, é sobre sermos amigos do Amor. Marque um horário todos os dias e se encontre com Deus, mesmo sem vontade. Seguindo o glorioso exemplo de Santa Teresa d’Avila:

“Em tempos de tristeza e inquietação, não abandones nem as boas obras de oração nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará. ”

Fique com Deus.

1.Afonso Maria de Ligório, Santo, 1696-1787 A Oração: O grande meio para alcançarmos de Deus a salvação e todas as graças que desejamos / Afonso Maria de Ligório; traduzido do original pelo Pe. Henrique Barros — 4a ed. — Aparecida, SP; Editora Santuário, 1992.

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1 comentário

  1. Perfeito, em alguns momentos me sinto assim desmotivada para rezar. Me identifiquei na História da Santa Teresa d’Avila. Mas luto e venço meus desafios, pois sei que Deus essa fonte de água viva quer nos saciar da tua palavra do teu Amor. Assim como ele chegou até a Samaritana pedindo dai-me de beber eu clamo ao Senhor eu necessito dessa água e faz de mim um vaso novo.

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