Salve Maria Santíssima!
O melhor educador é o exemplo. Ele pode tanto nos levar para o bem, quanto para o mal.
Quantas pessoas temos em nossa memória que foram grandes exemplos para nós na fé? Um Padre que tenha nos cativado com sua piedade, um pregador, uma religiosa… ou até mesmo pessoas mais próximas, a avó que não deixa de rezar o Santo Terço, o amigo que nos cobra quando percebe que estamos tíbios. Enfim, nossa mente está repleta de exemplos que nos instruíram ou motivaram.
Se você não conseguiu lembrar de ninguém, pensemos nos santos: são luminosos, são faróis que nos iluminam, que nos mostram que é possível ter vida sobrenatural mesmo diante das contrariedades dos homens. Pensemos também no nosso maior exemplo, o Santo dos Santos: nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse:
“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5,14-16)
De fato, os santos iluminam: são verdadeiras luzes da Luz (com l maiúsculo). Ser luz é quando as obras estão acima das palavras e servem de exemplo. A luz entra pelos olhos, o que os olhos enxergam em plena claridade não precisa receber explicações.
Já dizia Santo Antônio de Pádua:
“É viva a palavra quando são as ações que falam. Cessem, peço, os discursos, falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios em obras”.
Devemos ser como os santos, que com suas vidas nos iluminam e nos permitem enxergarmos as coisas com clareza e sem confusões, trazendo à tona os perigos que a sombra ocultaria e também nos aquecem, estimulam a vitalidade e favorecem a alegria.
Talvez, você pense que o seu exemplo não é nada, que ninguém se inspirará em você. Entretanto, nenhuma atitude nossa é neutra. Sempre influenciamos para o bem ou para o mal, mesmo quando nos portamos com indiferença diante das situações.
Sendo assim, somos convidados a refletir o quanto temos iluminado ou escurecido a vida dos nossos irmãos. Padre Faus apresenta um exame de consciência sobre essa realidade que apresentaremos a seguir. Com sinceridade e coragem, agora iremos ler esse exame e reconhecer agora a verdade em nós.
– Se eu sou uma pessoa sincera, constante, organizada, leal à palavra dada e fiel aos compromissos, sou luz. Os outros – filhos alunos, etc. –, junto de mim, veem claro e sentem-se seguros. Mas se sou pessoa mentirosa, inconstante, desordenada e volúvel, sou sombra. Os que dependem de mim ficam confusos, inseguros, não conseguem avaliar o alcance das minhas palavras, das minhas atitudes, das minhas promessas; em suma, não podem contar comigo como um farol orientador nem como um apoio.
– Se eu sou pessoa com ideais nobres e definidos na vida, pessoa que tem valores positivos – ânsias de fazer o bem –, que vibra com eles, que procura praticá-los; se sou pessoa cheia de fé e de esperança e posso dizer, como Jesus, eu sei de onde venho e para onde vou, então sou luz, mais ainda, sou reflexo da Luz com maiúscula, sou sinalização divina, foco cristão que orientará outras vidas. Mas se sou pessoa cética, agnóstica, cheia de incertezas e de pessimismo, convencida de que neste mundo nada há de bom, tudo é interesseiro, os valores são imaginários e os ideais tolices; se me julgo realista porque perante os interesses egoístas da terra e sou incapaz de ver, além deles, outra finalidade para a vida, então sou uma sombra mais daninha que uma cascavel oculta nas cobertas, e as primeiras vítimas podem ser os que mais amo.
– Se eu sou um lutador que detesta o conformismo e a acomodação, um coração que sempre quer puxar a vida para patamares mais elevados e perfeitos – para aspirações nobres, para virtudes, para maiores quilates de amor e amizade –; se detesto a mediocridade, se vibro com ânsias de justiça, se arquiteto sonhos realistas para tornar o mundo mais fraterno e belo e os demais mais felizes, então, com certeza, sou luz. Se, porém, cochilo na rede da canseira moral e do desencanto; se resmungo mais do que animo, se tenho alma, coração, atitudes, palavras e gestos desbotados pela frustração; se faço troça dos sonhadores sacrificados, se tenho pena dos que “ainda” acreditam no amor, na verdade, na justiça e no bem, então eu sou, com certeza, uma treva miserável.
– Se eu vejo, antes de mais nada, o lado positivo das coisas; se os meus comentários, em casa e fora de casa, sem serem ingênuos, são sempre estimulantes; se sou conhecido como aquela pessoa que sempre acolhe, que sempre está disposta a ajudar, que sempre anima, que sempre sorri, que alegra qualquer ambiente, então eu sou uma luz que concentra as sete cores da alegria. Mas se pertenço ao rol daqueles que, mal aparecem em casa, ou se sentam à mesa, ou entram na sala de aula, iniciam uma nova era glacial, apagam o sorriso dos outros (“fechou o tempo” – dizem deles); se a minha característica é a irritação, a impaciência e o mau humor; se reclamo de tudo e de todos; se acho tudo ruim; se não agradeço nada; se tenho pena de mim mesmo e ando com complexo de vítima – então, meu amigo, então eu sou uma sombra pior que as que Dante pinta no Inferno.
Fonte: (FAUS, Francisco. A força do exemplo: dos pais e orientadores. São Paulo: Quadrante,2018)
Mediante esse exame de consciência: você tem sido luz? Somos chamados a seguir o exemplo do Cristo. A acender o pavio de nossas velas na Brasa Ardente de Amor. É o Senhor que nos convida:
“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo”.(1 Pedro 1, 15-16)
“Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.” (João 13,15)
É a graça de Deus que tudo opera, e Ele não nos pediria atos irrealizáveis.
Fique com Deus e seja luz da Luz!