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Salve Maria Puríssima!
Hoje iremos conversar sobre algo que pode estar atrapalhando sua vida humana, emocional e espiritual: o sono. E também, sobre como utilizá-lo a seu favor.

É claro que, dormir em si não é um problema, muito pelo contrário:

O sono é providente! (E a falta dele também pode ser).

A providência de Deus, sempre maternal, conhecendo nossos esgotamentos diários, nos concedeu, a cada noite um banho reparador e o descanso, onde somos revitalizados.

São Crisóstomo disse “A mães, quando querem excitar seus filhinhos ao sono, embala-os sob os cortinados e deixam-os em paz. Do mesmo modo a Providência derrama sobre o mundo um imenso cortinado de trevas e convida os homens a descansarem as fadigas”.

E não é verdade? Quão dócil é nosso Deus! O sono não é útil somente ao corpo, mas também para a alma: ele serena as agitações, impede as precipitações de palavras e fatos.
E quando temos insônia? Talvez seja Deus querendo falar conosco… durante o dia somos diversas vezes submetidos as coisas exteriores e levados pelos cantos da sereia, muitas vezes não conseguimos ouvir a voz de Deus. Durante a noite o silêncio reina, e a alma facilmente entretêm-se com Deus, longe dos homens.

Existia nos santos uma especial delícia pelas noites: Santo Antônio de Pádua passava toda a noite em sua gruta em oração, de tal forma que os primeiros raios da manhã o incomodavam: a noite era curta para sua experiência com Deus.

No livro da Sabedoria 18,14 está escrito

“Muitas vezes, a Palavra de Deus se faz ouvir no meio da noite”.

A questão do sono

Diz a medicina que após o período de idade em que a natureza se forma, seis a sete horas de sono bastam.

Os sonos demorados tem suas consequências: condensam o sangue e torna todo o organismo pesado, sentimo-nos pesados, preguiçosos, incapazes de um sacrifício, fracos, fica a alma propensa ao ócio, seus movimentos tornam-se lentos, a alma tem mais dificuldade para resistir ao corpo e dormentes, nos faz aproveitar menos o dia porque passaremos grande parte dele dormindo.

Disso virá a sensação de que é impossível cumprir todos os compromissos e alcançar a santidade. E então o sono passa a atrapalhar a única coisa que verdadeiramente nos é necessária: amar a Deus. Assim vemos e fica claro que precisamos exercitar a virtude da temperança, e dormir o tempo necessário.

Platão sabiamente diz: “O sono excessivo não é salutar nem para o corpo nem para a alma, porque é incompatível com as ocupações da vida, durante o sono ninguém é útil, é-se nem mais nem menos como morto. Todo aquele que quer ter o corpo são e o espírito livre, conserva-se acordado o maior espaço de tempo possível, não dormindo mais que o preciso para a saúde, e pouco será preciso quando disto se tenha feito um bom hábito”.

Em Provérbios 20,13 está escrito: “Não ameis demasiado o sono”. Porque podemos correr o risco de nos submetermos a carne, e viver pelas paixões. Nos será necessário um caráter perfeitamente decidido para não vacilar.

Duas recomendações do Autor

  • Que a refeição antes de dormir não exagerada

Por que a digestão de alimentos duros é mais trabalhosa e ao querermos levantar parecerá que nosso corpo está chumbado ao leito, Clemente de Alexandria (grande teólogo falecido por volta de 215 d.C.) diz: “É forçoso comer demasiado, com o receio de que o peso das iguarias não nos incomode durante o sono, com o fardo de que pesasse sobre o nadador, no meio das ondas. A sobriedade dar-nos-á um despertar fácil”.

  • Tome cuidado com a forma e matéria do leito

Não que devamos dormir sobre tábuas, no chão ou sentados como fazem muitas almas devotas. Mas para não dormir como sobre penas, em camas muito flácidas, para não nos acostumarmos com muitos confortos. Diz o Monsenhor Landriodt que quanto mais simples e sóbrio for nosso leito, mais sãmente dormiremos e melhor será para o corpo e alma. Diz Clemente de Alexandria “É nocivo à saúde o dormir sobre uma flácida pena, onde o corpo arrastado pelo peso, se mergulha inteiramente e se sepulta, por assim dizer”.

Meditação sobre o sono

O sono é uma imagem da morte: um homem quando dorme está ausente da vida por várias horas, a principal diferença é que voltará. Ele nos aconselha a não deitar na cama sem fazer essa meditação: “Um dia, e breve talvez, estarei deitada do mesmo modo, e pode ser que no mesmo leito; os meus parentes e amigos estarão em lágrimas diante de um cadáver; chamar-me-ão ainda, mas a minha alma terá partido para a sua longa viagem; estará perante o supremo Juíz”.

O sono é um excelente pregador, faz-nos dizer: “Em breve o outro irmão virá, e desta vez estender-me-ei no meu leito para não mais me levantar.” Cada visita da noite deve ser um convite, a fim de nos prepararmos para a última e solene partida.

Ocupar-se

Em Eclesiastes 5,2 “O sono é doce para quem trabalha”. Nós devemos ocupar-nos durante o dia e evitar toda a ociosidade. Cada um em sua realidade e vocação deve trabalhar, exceto em caso de doenças, onde o sono regular reparará as forças perdidas.

Também deve haver o cuidado por parte das pessoas que empregam a vida em fofocas e situações fúteis, essas pobres almas, cansadas de tudo, tem sua alegria depositada no sono, que é a melhor parte de sua existência. Grande contradição: a melhor parte de um viver ser justamente a parte, que como dissemos, é a imagem da morte. Quem vive assim, se torna um morto-vivo.

A qualidade do sono

Não basta determinar a quantidade do sono, é preciso determinar também a sua qualidade. Diz um provérbio alemão: “Uma hora de sono antes da meia noite vale duas da manhã”. Segundo observações gerais, o sono é melhor e mais favorável à saúde no intervalo de nove da noite até cinco ou seis horas, claro que não todo esse tempo, mas que nesse intervalo se escolha as horas de sono. Tendo em evidência as exceções produzidas por conveniências transitórias, vale mais deitar cedo e madrugar.

O Monsenhor fala também da existência, naquela época de soirées (reunião social durante a noite), em que passavam até tarde nas reuniões e acordavam mais tarde- Nada muito diferente dos dias de hoje. Diz estar longe de condená-las, desde que vividas de acordo com a fé que professam. Mas aconselha a estender menos tempo para as reuniões e fazê-las mais agradáveis, frequentes e menos comprometedoras para a saúde. Diz Santo Tomaz “Pensai em vosso corpo, porque até se peca em os desprezar gravemente”. O excesso de reuniões a noite vem do paganismo, no tempo de Sêneca, ele diz que haviam pessoas que trocavam a noite pelo dia, tinham grandes consequências físicas aparentes e lamentava “Como não deplorar um excesso, que consiste em fugir da luz do dia para mergulhar nas trevas?”

Se a religião exigisse o que o mundo exige, exigisse noites varadas, quão questionada não seria. Por ser o mundo, ninguém diz nada. Quantos não se questionavam de ir uma vez por ano na Missa do Galo? Para as coisas do mundo, entretanto, estavam sempre disponíveis.

O hábito de deitar e levantar cedo é muito precioso para a alma, e assim os deveres são muito melhor cumpridos. Ao determinar a hora do levantamento matinal, conservai-a com firmeza. Um dos nossos mais terríveis inimigos é um travesseiro, precisamos nos converter!

A oração da manhã é um dos mais doces e preciosos momentos do dia. Existe uma frescura, uma suavidade, uma paz específica nesse momento. Quando se sobe a montanha no verão, as três horas da manhã chegam os primeiro raios de Sol do dia, que aparentam ser mais límpidos, pois ainda não passaram por outros peitos. Da mesma forma que esses puros raios entram em nós, o mesmo acontece com a união com Deus na hora em que quase todos dormem. O Senhor vem nos visitar todas as manhãs, mas a nossa indiferença faz com que ainda estejamos na cama, e forçamos o Senhor a ir atrás de outras almas.

Se levantarmos duas horas mais cedo em cada dia, em 40 anos serão 3 anos e meio a mais vividos. Imagine esses anos dedicados a vida intelectual e espiritual.

Salve Roma!

Fonte: Livro A mulher forte de Monsenhor Landriot

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