Salve Maria, Rainha das dores.
Santo Afonso de Ligório dizia que os santos não atingiram a santidade debaixo de aplausos, mas sob injúrias e desprezo, pois é pelo sofrimento que mais prontamente nos santificamos. Dito isso, adianto que neste artigo falaremos sobre a importância do sofrimento, e te convido a meditar este breve trecho do Evangelho de São João:
“Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo” (cf. Jo 12,3).
A partir da meditação desta passagem é possível obter inúmeras reflexões, por exemplo: a preocupação de Maria em dar o melhor para o Senhor – uma vez que este bálsamo mencionado possuía alto valor -, o reconhecimento de Maria acerca da Divindade e Majestade de Jesus ao unigir-Lhe os pés – ato comumente realizado naquela época para reconhecer os grandes -, ou até mesmo por sua humildade enquanto serva. Entretanto, hoje vamos nos atentar a algo que se encontra escondido nesta passagem: o sofrimento!
Maria utiliza o bálsamo da flor de Nardo para ungir os pés de Jesus; uma flor muito bela e que esconde um delicioso perfume. Você deve estar se perguntando: mas o que isto tem a ver com o sofrimento? Te respondo: tudo!
Na antiguidade, os boticários eram responsáveis pela produção de todos os bálsamos (perfumes). Para conseguir transformar a flor de Nardo em bálsamo, era necessário esmagar, dilacerar, aniquilar a flor por completo até que nada restasse, a não ser o delicioso perfume. Eis, pois, que o nardo representa o homem. Uma alma que anseia exalar o melhor dos perfumes, necessita do total aniquilamento de seu ser. Recordemos aqui as palavras de Jesus durante o primeiro anúncio de Sua Paixão:
“Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (cf. Lc 9,23).
É através da renúncia e abandono de nossa vontade própria e da vivência da cruz, que seremos capazes de exalar o bálsamo da santidade. A alma católica se entrega total e verdadeiramente à Deus, somente quando aceita a cruz e une seu sofrimento ao de Jesus, nosso divino Salvador.
Fazendo alusão ao ensinamento de Santo Afonso descrito no início deste artigo, neste momento te convido a um breve, porém profundo, exame de consciência. Pergunte a si mesmo: “quantas vezes desejei alcançar honras e glórias diante dos homens e de Deus, e desprezei passar pelas dores?”
Agindo desta forma, acabamos por esquecer aquilo que professamos ao rezar o Credo: Jesus precisou padecer, ser crucificado, morto, sepultado e descer a mansão dos mortos, a fim de que, depois de toda a dor e sofrimento, ressuscitasse glorioso e subisse aos Céus, onde está à direita do Pai.
Caríssimos irmãos, não há vitória sem luta, vida sem morte, ressureição sem cruz! O ensinamento do Senhor nos é claro: ser cristão é ser como Cristo. Se o Filho do Homem aceitou por amor as dores deste mundo, por amor devemos beijar nossa cruz e carrega-la até o Céu.
Sejamos tal como a flor de Nardo, para que o aniquilar nos faça santos! Salve Cristo, fortaleza dos mártires.