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“Não sinto nada, e agora?”

Salve Maria Assunta aos Céus!

Escrevo para você, que não está mais sentindo nada durante suas orações, que está com medo e questionando sua fé por conta disso.

Nos nossos tempos, muitos tentam provar a existência de Deus com o seguinte argumento “Você vê o vento? Mesmo não vendo, você sente e sabe que existe. A mesma coisa é com Deus”. A verdade é que esse argumento não é válido (explicação que fica para outra oportunidade), não podemos esquecer das vias de São Tomás de Aquino, que explicam muito bem e com muita coerência o assunto.

Nossa geração tem a mania de resumir Deus em um sentimento, quantas pessoas não dizem “Deus existe, eu sinto” (…mas se você não sentir Ele deixa de existir?). Resumimos Deus em um sentimento porque somos carentes, e fomos criados, de certa forma, para sermos assim em tudo: relacionamentos amorosos, amizades e até no relacionamento com Deus.

E o problema surge quando, uma alma que viveu sua primeira experiência porque sentiu, não está mais sentindo. E aí, começa a questionar a existência de Deus.

Nós não podemos esquecer que Deus é o criador do universo, o Sumo Bem. Deus não é um sentimento, um arrepio e nunca vai ser. Isso não significa que não se pode sentir ou que se sentiu foi de mentira, pode ser uma consolação vinda de Deus para sua alma, uma grande graça.

Mas se antes você sentia e agora não sente mais, isso não é motivo para o desânimo! Chegou a hora de você provar a Deus que o ama por Ele mesmo, não pelo que pode fazer você sentir. Chegou a hora de mostrar que você não é um interesseiro, mas que o ama de verdade, e apesar de tudo. Até porque, é muito mais fácil amar a Deus quando sentimos, não é?

 Como disse nosso Senhor “Felizes aqueles que crerem sem ter visto!” (cf. Jo20,29), felizes somos nós se não estamos sentindo e felizes não de uma felicidade resumida ao presente, mas da felicidade que dura eternamente.

No livro Imitação de Cristo, diz Jesus a alma “Nem tudo está perdido, se sentires, às vezes, menos devoção, a mim ou a meus santos, do que desejaras. Aquele sentimento terno e doce que experimentas, às vezes, é efeito da graça presente, um como que antegosto da pátria celeste; nele não te deves firmar muito, porquanto vai e vem” (cf. LIII c.6).

O que Jesus diz, é que não está tudo perdido (o que achamos, e por isso nos desesperamos) quando não estamos sentindo aquele doce sentimento, que é como que uma pequena “prova” do que viveremos eternamente, mas que não podemos ficar presos nesse sentimento, porque ele passa muito rápido e enquanto estivermos nessa terra não será eterno (diferente de Deus, que é eterno).

Também não podemos achar que estamos sozinhos, ao contrário do que muitos pensam, os Santos também tinham seus desertos espirituais. A nossa diferença para os Santos é que eles levavam com alegria, aceitando a vontade de Deus.

Santa Teresa do menino Jesus, doutora da Igreja, mulher que nunca pecou mortalmente, ao não sentir, encarava isso como uma forma de provar seu amor por Deus. Escreveu ela em uma oração encontrada após sua morte “Oh meu Amado! Por amor de ti, aceito não ver, aqui nesta terra, a doçura de teu olhar, não sentir o inexprimível beijo de teus lábios”: eis uma ótima oração para repetir quando o Senhor pedir que os vejamos além do sentimento.

Que possamos ter fé, aproveitar esse momento para conhecer mais o Senhor, tendo como exemplo Santa Teresa e confiando que Deus sabe o que é conveniente a cada um e o momento adequado para cada coisa.

Que Deus te dê sabedoria, salve Roma!

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