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Guia Prático para o Temperamento Melancólico

Os temperamentos fazem parte da constituição fisiológica do nosso ser e dizem muito sobre nossas tendências naturais. No entanto, eles nunca devem ser encarados como completamente determinantes em nossa vida, muito menos como um horóscopo ou algo parecido. 

Neste artigo, você conhecerá um guia prático sobre o temperamento melancólico que poderá ajudar, de forma concreta, tanto os melancólicos de plantão, como as pessoas que convivem com os melancólicos. 

Inicialmente, precisamos ter em mente duas características importantes sobre este temperamento: ele é frio e seco

Frio, porque a velocidade da resposta aos estímulos externos do melancólico é baixa. Ou seja: o melancólico não costuma reagir na hora que algo acontece. Por exemplo, se um melancólico for xingado no trânsito, a tendência dele é não responder ao xingamento. Por outro lado, a sua característica seca fará com que ele se recorde daquele acontecimento por um longo tempo, pois, essa característica faz com que a durabilidade das impressões no melancólico sejam mais longas. Sabe aquela sensação de dois dias depois da briga perceber que algo que a pessoa te disse foi ofensivo e se sentir ofendido, mesmo já tendo passado dois dias? Isso pode ser comum para um melancólico.

Por isso, dizemos que o melancólico é como a terra. Pense bem, a terra seca e fria fica dura e nem sempre é fácil de perfurar, mas quando isso acontece, ela fica marcada por um longo tempo.

Devido a essas características o melancólico é muito atraído pelo seu “mundo interior”. Se você é melancólico, já deve ter percebido que gasta (ou já gastou), um período longo do seu tempo se revolvendo em seus próprios pensamentos e problemas, criando hipóteses internas como um cachorro correndo ao redor do próprio rabo. 

É muito comum que em uma roda de conversa o melancólico pareça estar distante. Sim, de fato esse temperamento tem a tendência de ser mais silencioso e menos expansivo, mas às vezes, esse distanciamento acontece porque o melancólico está fixado em seus próprios pensamentos. A conversa pode estar fluindo bem naquele grupo de amigos, mas caso o melancólico se recorde de um assunto que já havia lhe marcado interiormente, ele tem a tendência de se apegar aquela memória e ficar preso nela enquanto os outros já estão conversando sobre outros assuntos.

É por isso que o melancólico precisa fazer o esforço de sair do seu mundinho ilusório, para encarar e viver no mundo real e concreto. Uma forma muito prática de exercitar isso é através do espírito de serviço. Assim, o melancólico deixará de lado o mundo dos seus pensamentos e ilusões para servir ao próximo de forma concreta. Saindo de si mesmo e indo ao encontro do outro.  

Mas, o melancólico precisa estar atento para não cair no orgulho. Como já podemos perceber, o melancólico tem uma boa memória. No entanto, o seu maior defeito é ter uma memória egoísta, ou seja, uma memória de si mesmo, dos seus problemas internos e das suas dificuldades. Não é à toa que muitos melancólicos se sintam incompreendidos pelo mundo, mas, isso só acontece porque eles têm uma visão excessivamente voltada para si mesmos. Isso precisa ser superado. 

Precisamos nos libertar da carga pesada do “eu”. O esquecimento de si mesmo é a face oculta do amor. Vou exemplificar para ficar mais fácil: se você no passado passou por uma experiência que te marcou muito porque você sofreu com ela, quando você se lembra disso, sua vida paralisa. Você sente uma necessidade muito grande de parar o que está fazendo e ficar remoendo aquilo interiormente. A mesma coisa acontece quando você lembra de alguma vez que cometeu um grande erro, fica se remoendo. A verdade é que remoer não muda o que já aconteceu, nessas situações devemos sempre olhar para Cristo e agradecer por termos saído do erro em que havíamos caído ou rezar pelas pessoas que nos fizeram sofrer, isso sim é frutuoso. É frutuoso parar de remoer sobre o quanto já sofremos e começarmos a ajudar as pessoas à nossa volta para que essas não sofram.

Já dizia São Josemaria Escrivá:

“Oxalá te habitues a ocupar-te diariamente dos outros, com tanta entrega que te esqueças de que existes!”

Caso contrário, até servindo o melancólico terá um olhar voltado para si. É muito comum os melancólicos caírem no orgulho de pensar: “Se eu mudar, se eu for virtuoso, se eu for santo, está resolvido o problema do mundo”. Ou seja, o melancólico acredita que se ele resolver seus problemas interiores os problemas do mundo estarão resolvidos. Mas não é assim, de fato, as coisas vão melhorar muito mais se o melancólico se dispor a esquecer-se de si mesmo e entender que o mundo não gira ao redor de seu umbigo.

Ao abandonar essa memória egoísta de si mesmo — podemos chamá-la de “Memoria Sui” — o melancólico pode se dispor virtuosamente a exercitar a “Memoria Dei”, que é a recordação de Deus.

Assim, ao invés de revolver-se sempre em seus problemas internos, o melancólico será grato pela bondade e misericórdia de Deus, que sempre nos dá muito mais do que nós realmente merecemos. E assim, ele também poderá se voltar para o próximo que está ao seu lado com amor. Enxergá-lo devidamente e amá-lo.

Sou melancólica, depois de estudar isso pude dar passos concretos em minha vida, graças a Deus. Espero que este guia também possa te ajudar!

Abraços! Deus abençoe!

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1 comentário

  1. Gostaria de entender a forma de aplicar a noção de espírito de serviço para conseguir compreender a noção de saída da memória sui e se voltar a memória Dei agostiniana em minha vida.

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