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Guia Prático para o Temperamento Sanguíneo

Os temperamentos fazem parte da constituição fisiológica do nosso ser e dizem muito sobre nossas tendências naturais. No entanto, eles nunca devem ser encarados como completamente determinantes em nossa vida, muito menos como um horóscopo ou algo parecido. 

Neste artigo, você conhecerá um guia prático sobre o temperamento sanguíneo que poderá ajudar, de forma concreta, tanto os sanguíneos de plantão, como as pessoas que convivem com os sanguíneos. 

Inicialmente, precisamos ter em mente duas características importantes sobre este temperamento: ele é quente e úmido

Quente, porque a velocidade da resposta aos estímulos externos é alta. Por exemplo, caso o sanguíneo esteja em uma briga, ele terá a tendência de responder as ofensas rapidamente

Mas, a durabilidade das impressões causadas por esses estímulos é baixa, o que lhe confere a característica úmida. Sendo assim, é muito comum que depois de um acontecimento como no exemplo anterior — uma briga — o sanguíneo já tenha feito as pazes e esquecido o que aconteceu minutos depois. 

Por isso, dizemos que o elemento da natureza que melhor representa o sanguíneo é o ar. Observe que, o ar possui essa característica da expansão (quente) e do envolvimento (umidade), mas não possui uma estrutura rígida e firme. Por isso, os sanguíneos são ótimos em se expressar, falam bem, envolvem as pessoas ao seu redor por serem muito simpáticos e afáveis (o que não significa que eles não possam ser tímidos, preferindo se expressar somente em determinados lugares), mas, por serem quentes e não frios, é muito comum que o sanguíneo fale sem pensar e depois se arrependa disso

Dessa forma, o sanguíneo está muito ligado aos sentidos e tudo que os impressiona, por isso, a sua pior tendência — que precisa ser educada — é a inconstância.

Por causa desse apego aos sentidos, é como se o sanguíneo fosse uma borboleta que vai voando de flor em flor em busca de novos perfumes, mas sem nunca encontrar uma flor onde queira permanecer. 

Na vida espiritual, isso pode ser um grande problema, porque, ao invés de buscar a verdade, o sanguíneo tem a tendência de  buscar a consolação. É por isso que o sanguíneo facilmente abandona a oração e as práticas de piedade. Com o passar do tempo, já não encontra nelas o mesmo gosto que dantes, e por causa disso julga estar perdendo tempo.

No fim das contas, essas ações revelam não uma busca por Deus, mas por si mesmo. Dessa forma, a salvação do sanguíneo é adquirir vida interior! 

Apesar dessa má tendência, o sanguíneo tem uma boa tendência que será essencial nesse processo de autoeducação: ele é facilmente atingido pela verdade de Deus, em outras palavras, ele percebe os sinais exteriores de Deus com maior facilidade.

Portanto, o sanguíneo tem que usar essa tendência não para ir “pulando” de consolação em consolação, mas para ser fiel naquilo que Deus lhe mostrou. Ou seja, você foi tocado por algo durante a oração? Então, seja fiel aonde Deus te tocou! 

Quando o sanguíneo está rezando, ele precisa fazer o esforço de meditar aquela verdade até o fim. Dessa forma, ele não buscará mais o prazer das consolações, mas o amor do Amado de sua alma!

Um grande exemplo para os sanguíneos é Santo Agostinho, um exímio sanguíneo! Ele passou anos de sua vida buscando as consolações dos sentidos através das criaturas (exteriormente), até a verdade iluminar a sua inteligência e Agostinho conhecer o Deus que habita no interior!  

Por isso, a oração “tarde te amei” do santo é um verdadeiro hino da conversão do sanguíneo: 

“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhante e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz.”

Nesta oração podemos ver claramente a boa tendência do sanguíneo a favor da sua autoeducação. Ao falar com Deus, Agostinho enfatiza como o Senhor lhe tocou os sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato): “teu grito rompeu a minha surdez”, “tua luz afugentou a minha cegueira”, “espargiste tua fragrância”, “eu te saboreei”, “fome e sede”, “Tu me tocaste, e agora estou ardendo”. Mas, ao invés de usar isso para buscar mais e mais consolações, Agostinho aprendeu a permanecer em Deus e ser constante! 

Espero ter ajudado meus queridos amigos sanguíneos! Abraços! Deus abençoe!

 

Santo Agostinho, rogai por nós!

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