Salve Maria!
Quantas vezes nós vivemos nossa vida fazendo o que queremos… Mas será que já paramos para nos perguntar se isso é realmente bom?
A verdade é que viver a vida baseado em si mesmo é nocivo. Nos prende em nós mesmos e nos torna gradativamente incapazes de ter verdadeiros atos de caridade e de fazermos sacrifícios. Nos torna também orgulhosos, nos supomos maiores que Deus e queremos mandar em nós mesmos.
Muito sabiamente disse Santo Agostinho: “Da vontade pervertida nasce a paixão; servindo-se à paixão, adquire-se o hábito, e, não resistindo ao hábito cria-se a necessidade”. (Confissões Livro VIII – Cap. 5). Querendo dizer que, enquanto vivemos cumprindo simplesmente nossa vontade nos tornamos como que escravos do pecado e de nós mesmos.
Isso não é Cristão, sabemos muito bem o que escreveu São Paulo “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.” Gl5,1. Nos nossos tempos temos uma visão muito deturpada da liberdade: acreditamos que ser livre é fazer o que quer na hora que se quer. Isso nos prende, nos faz escravos. A verdadeira liberdade bem exercida está em cumprirmos com amor nosso dever cotidiano.
A vida do cristão é árdua e ele luta com amor, porque é justo que muito custe o que muito vale: e o céu é o destino do cristão. Se engana aquele que acha que chegará ao Céu sem esforços. Que tristeza é para as almas que morrem sem nunca terem feito esforços, sofrerão muito e tarde demais verão quão inútil foi sua decisão.
Disse Jesus: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16, 24)
A vida de Cristo sempre nos será o maior exemplo, jamais houve homem mais maduro que Ele. Em sua vida jamais fez a Sua própria vontade, mas cumpria com muito amor seu dever. Não o cumpria como nós, que logo abandonamos o dever quando contrariados ou estamos “cansados”. Muito pelo contrário: Cristo cumpriu seu dever suportando os algozes e a morte.
Rafael Llano Ciffuentes em seu livro “A maturidade” nos dá três indicativos do porquê não amadurecemos e o terceiro é: Por que não vencemos a nós mesmos, nem controlamos nossos impulsos, nem deixamos de ser narcisistas e egoístas, que vivem somente por impulso cumprindo a própria vontade.
Santa Teresinha encontrou sua vida ascética cumprindo seu dever: aí ela venceu suas más tendências. Devemos traçar esse mesmo caminho.
O que devemos entender é que as pessoas maduras cumprem seu dever com vontade ou sem, doentes ou não. As pessoas maduras fazem o que devem, não o que querem.
Deve morrer em nós essa maldita compaixão por nós mesmos que nos impede de fazer qualquer esforço. A vida sem sacrifício é uma vida estéril. Como nos aconselha São Josemaria Escrivá: “Que a tua vida não seja uma vida estéril. -Sê útil”. Quem vive sem sair de si mesmo e ir ao encontro do outro não cumpre seu dever nem é maduro.
Essa maturidade também é importante para nossa vida de oração. Um católico que só reza quando quer não ama a Deus, mas a si mesmo: só reza quando é conveniente a si mesmo. Deve ecoar em nossas mentes as palavras de Santa Teresa de Ávila:
“Grande e muito decidida determinação de não parar enquanto não alcançar a meta, surja o que surgir, aconteça o que acontecer, sofra-se o que sofrer, murmure quem murmurar, mesmo que não se tenham forças para prosseguir, mesmo que se morra no caminho ou não suporte os padecimentos que nele há, ainda que o mundo venha abaixo…”
Determinada determinação! A partir de hoje devemos cumprir nosso dever com muito amor, mesmo que se morra no caminho!
Fique com Deus.