São Francisco de Sales, em seu livro Filoteia, nos instrui a respeito da vida devota e, entre tantas práticas de devoção que nos apresenta, ele revela o Sol dos exercícios espirituais, o Sol da Igreja, que é a Santa Missa.
Para São Francisco, o Santíssimo, Sagrado e Soberano Sacrifício da Missa é o centro da religião cristã, coração da devoção, alma de piedade, mistério inefável, que compendia e abarca o abismo da caridade divina, e pelo qual Deus, unindo-se realmente a nós, nos comunica de modo magnífico as Suas graças e favores.
A Santa Missa é o Sacrífico Incruento de Nosso Senhor Jesus Cristo onde, nas espécies do pão e do vinho, Se faz presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. A este respeito, nos diz o Doutor Angélico: “A celebração da Santa Missa tem tanto valor quanto a morte de Cristo na Cruz”.
Se, portanto, a Santa Missa é o Verdadeiro Sacrifício de Cristo, como devemos nos comportar e ouvi-la? São Padre Pio de Pietrelcina responde que devemos nos portar na Santa Missa, como a Vigem Maria e São João se comportaram no Calvário.
Mas, agora te pergunto: como você tem vivido a Santa Missa?
São Francisco de Sales nos dá seis direcionamentos práticos para ouvir a Santa Missa como convém ouvi-la:
- Desde o princípio até que o sacerdote chegue ao altar: hás de fazer com ele a preparação, que consiste em te pores na presença de Deus, reconhecer a tua indignidade, e pedir perdão das tuas faltas;
- Desde que o sacerdote sobe ao altar até ao Evangelho: considera a vinda e a vida de Nosso Senhor neste mundo, fazendo uma consideração simples e geral;
- Desde o Evangelho até depois do Credo: considera a pregação do Nosso Salvador, declara querer viver e morrer na fé e na obediência à Sua santa palavra e em união com a Santa Igreja Católica;
- Desde o Credo até ao Pai Nosso: concentra o teu coração na morte e paixão do nosso Redentor, que são atual e essencialmente representados neste Santo Sacrifício que, com o sacerdote e com o resto do povo, oferecerás a Deus Pai, em Sua honra e para tua salvação;
- Desde o Pai Nosso até à Comunhão: esforça-te por despertar em teu coração muitos desejos, almejando ardentemente estar sempre junto e unido a Nosso Senhor com um amor eterno;
- Desde a Comunhão até ao fim: dá graças à Sua Divina Majestade, pela Sua encarnação, vida, morte e paixão, e pelo amor de que te dá provas neste Santo Sacrifício, pedindo-lhe encarecidamente que por este te seja sempre propício, aos teus parentes e aos teus amigos, e a toda a Igreja; e, humilhando-te de todo o coração, recebe devotamente a bênção divina, que Nosso Senhor te dá por meio do Seu ministro.
O Santo ainda nos exorta que se quisermos, durante a Missa, fazer nossa própria meditação, não será preciso fazer estes atos apresentados, mas bastará que, no princípio, formemos a intenção de querer adorar e oferecer este Santo Sacrifício pelo exercício de nossa meditação e oração, pois em toda meditação se encontram [ou pelo menos deveriam se encontrar] os referidos atos citamos acima.
A oração feita em união ao Divino Sacrifício da Missa tem uma força indizível, de maneira que por ele a alma superabunda em celestiais favores por estar como que apoiada no seu Amado. Não deixemos, pois, de permanecer unidos ao Amor dos amores, e que possamos, de agora em diante, nos unir perfeitamente ao Santo Sacrifício do Altar!
Salve Cristo Rei!
Referência bibliográfica: Filoteia, XIV, “Da Santa Missa, como se há de ouvir”.