Recentemente, uma amiga compartilhou comigo sobre seu relacionamento de amizade com alguém do mesmo sexo (outra mulher). Suas palavras mexeram com meu coração, especialmente pela tão isolada e sexualizada cultura. Aqui está o que ela disse:
“Eu tenho pensado muito sobre meu relacionamento com [nome]. Eu me preocupo tanto com ela; conversamos quase todos os dias, nós temos tanto em comum, e nos importamos genuinamente uma com a outra. Quando a encontrei pela primeira vez, ela era tão bonita e tão legal que, realmente, me fez baixar a guarda. Eu me encontrei atraída por ela e realmente queria ser sua amiga – estritamente sua amiga – e, no início, isso me assustou. Eu preciso lembrar a mim mesma que está tudo bem querer estar cercado por alguém do mesmo sexo, estar perto de alguém do mesmo sexo, ter íntimas amizades com alguém do mesmo sexo. E esta intimidade não requer interação sexual/romântica (em pensamento ou ação). Parece que a sociedade se esqueceu disso”.
Suas palavras ecoam em meu coração, novamente. Amizade. O que isto parece?
Refletindo com suas palavras, comecei a me perguntar: com que frequência as pessoas confundem os desejos sexuais/românticos com meros desejos de estar perto de alguém? As pessoas esqueceram que nem todas as atrações são naturalmente sexuais/românticas? As pessoas esqueceram que ainda pode existir uma amizade autêntica, sem que comecem a questionar se podem ser ou não homossexual? Eu me pergunto: ser atraído por alguém será sempre considerado fora das lentes do sentimento, como se devêssemos questionar nossa identidade sexual?
Eu me pergunto o quanto tudo isso tem a ver com nossas expectativas e como elas foram formadas por nossa cultura. Uma narrativa particular parece estar sendo empurrada, o que implica: “Se você gosta de alguém, então a exploração sexual/romântica é um próximo passo razoável”. Eu me pergunto se aqueles que promovem esta narrativa estão completamente cientes que a exploração sexual/romântica está, provavelmente, se tornando como um bom sentimento e, portanto, influenciando em como uma pessoa verá a si mesma – especialmente se ela acabar se explorando com alguém do mesmo sexo. Repito, pense em como é bom se sentir seguro, ser cuidado e escolhido.
Todas essas são fortes influências – especialmente para aqueles que já se sentiram rejeitados ou mesmo negligenciados. Mas qual criança nunca experimentou isso em algum grau? Qual será o efeito sobre elas se suas expectativas forem modeladas (mais como projetadas) para incluir a ideia de que elas deveriam buscar atividades sexuais/românticas? Elas serão mais propensas a prossegui-las e podem vir a percebê-las, subconscientemente, como uma desejável alternativa para sofrer as dores que podem haver em seu coração.
Viveu o Ciclo
Eu compreendo isto em primeira mão. E embora nem todos tenham a minha história, conheço muitos que têm. O fascínio de tais perseguições era poderoso, embora eu soubesse que isto iria gerar uma nova baixa depois de cada alta sucessiva. Quase todos os “relacionamentos” em que eu estava eram, meramente, um meio de reprimir a dor, perseguir minhas paixões e passar o momento inteiro. Eu corri em direção à exploração sexual/romântica, porque isto anestesiava a dor de me sentir como um não escolhido e de me sentir como se eu não fosse bom o bastante. Mas, depois que a exploração sexual/romântica começou, era inevitável que a outra pessoa seguisse em frente. Infelizmente, eu precisava encontrar outra pessoa para substituir a experiência entorpecente que eu havia perdido. Conforme este ciclo continuava, a escuridão de usar as pessoas de novo e de novo dessa maneira, me dominava mais e mais.
O que quebrou este ciclo para mim, muito anos atrás, foi o desenvolvimento da amizade verdadeira – santas amizades travadas na procura da castidade, com pessoas que se esforçavam pelo mesmo. Estas pessoas não me usam ou me exploram em minhas fraquezas. Eles não me convencem que nós podemos usar uns aos outros e justificar isso porque somos dois adultos conscientes. Estas pessoas me levaram a um nível maior. Elas me reergueram e me mostraram que eu sou bom o bastante, porque eu sou um filho amado do Pai. Eles me ajudaram a entender que eu sou (e sempre fui) escolhido, chamado pelo nome, por Jesus Cristo.
Isso foi uma mudança de vida.
E em relação às amizades?
Atualmente, entretanto, eu me questiono se amizades verdadeiras e autênticas, em nossa sociedade, ainda são possíveis. Quero dizer, este é o ponto onde nossa sociedade está impondo questões de identidade sexual próximo de cada pessoa – não somente crianças, mas personagens fictícios também, como Ernie e Bert [programa infantil norte-americano]. Me pergunto: existe algo que não seja sexualizado? Nós nos esquecemos como as amizades devem ser? Nós estamos tão intrinsecamente focados em uma mentalidade sexual que a primeira associação é que existe um motivo sexual/romântico por trás de tudo? Ou DEVERIA ser? Parece que este é o caso.
Eis um post que um amigo fez recentemente no meu perfil:
“Uma de minhas clientes parecia e soava exatamente como minha irmã mais nova – os mesmos interesses, o mesmo estilo, etc. Eu pensei que elas poderiam ser melhores amigas! Eu contei para minha cliente sobre minha irmã e ela sentiu a necessidade de me deixar ciente que ela tinha namorado. Eu fiquei muito chocado”.
De fato, este é o mundo em que vivemos.
A Esperança ainda pode abundar!
Mesmo que as expectativas das pessoas sobre elas mesmas são limitadas por aquilo que conhecem, nós não devemos sentir como se tudo estivesse perdido. Nós apenas devemos nos esforçar em expor as pessoas ao amor de Jesus Cristo. Se conseguirmos nos esforçar para sustentar santas, castas e autênticas amizades em um lindo e alegre caminho, estas pessoas podem voltar a enxergar que isto é intimidade, mas, sem ser romantizado ou sexualizado, então todos nós poderemos contribuir para a exposição. Como um efeito esperançoso, vamos experimentar (e revelar aos outros) uma felicidade, alegria e amor maior – até o ponto em que nossos corações vão transbordar o suficiente para fazer com que as pessoas queiram provar disto por elas mesmas.
É por isso que eu estou aqui hoje. E existem outros, por aí afora, esperando para terem este amor revelado a elas também. Não deixemos escapar esta oportunidade de restaurar santas amizades. Parece que agora, nosso mundo precisa disso mais do que nunca e, talvez, nós fomos criados aqui e agora, para tempos como este.
Escrito por Hudson Byblow para o The Cor Project.
Tradução de Kathleen Solano.
Artigo original: http://corproject.com/are-friendships-a-thing-of-the-past/