Será que realmente entendemos o que é amor?
O amor é muito mais que “não odiar”, o amor é doação, sacrifício, benevolência. Nesse artigo meditaremos sobre a caridade fraterna baseados na Palavra de Deus e nos escritos de Santa Teresinha do Menino Jesus.
“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem”. (Mateus 5, 43-44)
Por vezes, podemos ler essas palavras e não nos aprofundarmos no seu sentido. E isso é um grande perigo, pois então, estaremos vivendo o que Jesus nos pede pela metade e com negligência.
O Senhor nos ensina e pede que amemos não só aqueles que nos são caros, mas também aos nossos inimigos. E veja bem, amar não é simplesmente “não odiar”. Até porque o contrário do amor não é o ódio em si, e sim a “ação de não amar”, que pode se caracterizar como uma indiferença, ou até mesmo como um “usar e jogar fora”.
O amor verdadeiro e bom é benevolente, ou seja, deseja e faz o bem à pessoa amada. E, sendo Deus o nosso maior bem o amante deseja e procura que o amado se una profunda e intimamente com Deus.
Muitas vezes é difícil para nós compreendermos essa realidade eterna, pois nessa terra comumente nos deparamos com um “amor de concupiscência”, uma ilusão, um amor decaído que busca no outro a satisfação dos seus interesses e suas carências. Um egoísmo, que prende o homem em si mesmo e não o permite amar, se doar e fazer o bem pelas pessoas ao seu redor.
Santa Teresinha nos ensina que: “Não basta amar, é preciso dar prova disso”. A Sagrada Escritura também alerta que, a fé sem obras é morta (cf. Tiago 2,17).
Por isso, o contrário do amor não é o ódio, mas o não amar. Se dizemos que amamos, mas não damos prova disso, permanecendo no ócio e na indiferença, não amamos de verdade e somos tíbios. O Senhor nos pede ações concretas que demonstrem o amor:
“Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem”.
Em seus escritos Santa Teresa de Lisieux abre um leque de reflexões sobre a caridade e também sobre como praticá-la, contando suas próprias experiências.
Por exemplo, no parágrafo 296 de seu Manuscrito C, a Santa reflete sobre a passagem: “Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.” (Lc 6,30)
“Dar a todas aquelas que pedem, é menos agradável do que oferecer pessoalmente, num impulso do coração. Quando pedem de bons modos, não custa dar. Mas, se por má sorte alguém não usa termos bem delicados, a alma de pronto se insurge, se não estiver firme na caridade. […] Se difícil é dar a quem quer que o peça, muito mais o será deixar que levem o que temos sem pedir devolução”. (História de uma Alma – 296)
Mas em vez de prender-se nas dificuldades de se cumprir o pedido de Jesus, com humildade e magnanimidade Teresinha se recorda de que o fardo de Jesus é sempre leve e que só o amor é capaz de dilatar o nosso coração. Assim, a santa dá um passo além. Reconhecendo que uma paz muito grande a invade quando a alma se sobrepõe aos sentimentos, ou seja, quando a virtude supera o vício. E que não existe alegria comparável à que goza o verdadeiro pobre de espírito, aquele que é humilde, desapegado, e entendeu que só Deus lhe basta.
Então, com heroicidade Santa Teresinha decide acolher o pedido do Cristo que diz:
“A quem quiser citar-vos em juízo para vos tirar a túnica, largai também o manto”.
Disse a santa que: “Abandonar a túnica, ao que me parece, é renunciar seus últimos direitos, é ter-se como servidora, como escrava das outras. Quando nos desfazemos de nosso manto, torna-se-nos mais fácil andar, correr. Por isso Jesus acrescenta: ‘E se alguém vos obrigar a dar mil passos, andai com ele outros mil’” (História de uma Alma – 298).
Assim, Santa Teresinha do Menino Jesus nos ensina a viver no dia a dia da vida cotidiana simplesmente aquilo que todos nós somos chamados a ser: Cristãos. “Christianus alter Christus”, o cristão é um outro Cristo. Teresa de Lisieux viveu a plena obediência a Deus em si mesmo e em todos que a pediam algo.
Cristo é o Grande exemplo: amou até mesmo os que O açoitaram e mataram. Mesmo sendo Deus veio ao mundo assumindo humildemente nossa condição… e amou.
O Pai de Teresa se doou até as últimas consequências, e assim viveu Teresa também: abandonou todo seu egoísmo, largou sem medo ou receio seus desejos e foi amar.
Na nossa realidade e estado de vida podemos buscar viver esses ensinamentos, amando de forma concreta, com atitudes. Fazendo o bem e rezando mesmo por aquelas pessoas que nos são desagradáveis ou até mesmo nos perseguem. Nos doarmos inteiramente nas pequenas situações do dia a dia na imitação de Cristo que se doou por inteiro.
Se na sua escola alguém precisa de explicação, explique com amor e dedicação. Se no seu trabalho alguém te pediu ajuda, esteja pronto para ser útil e prestativo, colocando em prática o espírito de serviço. Seja prestativo também nos deveres de casa e ajude a sua família. Algum conhecido ou alguém da família está doente? De que forma você pode ajudar? Lembre-se, “nada é pequeno se feito com amor! ”
Que a exemplo de Nosso Senhor, e também pela intercessão de Santa Teresinha possamos abandonar a nossa túnica, largar o nosso manto e buscar viver a caridade que o próprio Deus nos ensinou e usa para nos amar diariamente.