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A verdade sobre o “Eros”

Quando ouvimos a palavra “Eros”, automaticamente começamos a pensar em algo voltado para o sexo, o desejo carnal. Mas, nessa formação nós iremos tratar do verdadeiro significado do Eros, e o papel que ele tem na nossa vida enquanto seres humanos.

Para conseguirmos entender bem tudo isso, precisamos nos recordar dos nossos primeiros pais, relatados no livro do Gênesis. Deus Pai criou Adão, e deu a ele o poder de dar nome a todas as criaturas da terra. Depois de conhecer e dar nome a todas as coisas, Adão sentiu uma inquietude, pois não encontrou ninguém que era semelhante a ele.

Nesse episódio, nos fica claro que o homem, desde o princípio, tem um desejo, uma vontade, uma inquietude, mesmo antes do pecado entrar no mundo.

“Sozinho, o homem não realiza totalmente esta essência [de ser pessoa]. Ele só a realiza existindo ‘com alguém’ – e ainda mais profunda e completamente: existindo ‘para alguém’… Comunhão das pessoas significa existir num recíproco ‘para’, numa relação de recíproco com” (9 de janeiro de 1980 – São João Paulo II).

Esse anseio, revela que somos incompletos, que estamos em busca de um outro para que nós mesmos façamos sentido. Apesar desse anseio se originar em nossas almas, desde o princípio da criação humana, ele também se manifesta em nossos corpos. Podemos parar e pensar, o corpo do homem não faz sentido por si só, nem o corpo da mulher, portanto os nossos corpos buscam a união. São João Paulo II vê isso como uma mensagem do Deus Amoroso, para nós.

O Papa Emérito Bento XVI afirmou que o amor erótico está destinado a dar ao ser humano “não o prazer de um instante, mas uma certa amostra do vértice da existência, daquela beatitude para que tende todo o nosso ser.”
Ai que entra o grande problema. Se a sexualidade humana é um sinal da eternidade, portanto a relação sexual não é para nós a nossa realização suprema, e esse é o maior erro que o mundo está cometendo hoje.

Christopher West, em seu livro “Enchei estes corações”, faz uma analogia do Eros com um foguete, onde somos convidados a refletir “para onde estamos direcionando o nosso foguete?; pois se o Eros é um anseio pelo infinito, quando direcionamos ele para algo finito, como o sexo por exemplo, obviamente ficaremos carentes, desiludidos e desapontados, simplesmente por não cumprir o nosso “dever ser”.

Santo Agostinho, no século IV, afirmou: “Fizeste-nos Senhor para Ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar em Ti”.

Ágape é a palavra grega para o amor desinteressado. Ela se refere ao dom sacrificial, espiritual.

O padre Raniero Cantalamessa observou que o amor “sofre de uma separação nefasta não só na mentalidade do mundo secularizado, mas também entre os fiéis… Poderíamos formular a situação assim: temos no mundo um Eros sem Ágape, e entre os fiéis, temos frequentemente um Ágape sem Eros”. O primeiro é um corpo sem alma, propagado pela mídia secular, o outro é a alma sem corpo, um amor frio, no qual o componente humano ligado ao tempo e a corporeidade é sistematicamente negado ou reprimido. De qualquer forma, quando separamos o Eros do Ágape nós distorcemos a verdade do amor e rompemos com a nossa própria humanidade, pois o ser humano “não é um anjo, um espirito puro; é alma e corpo substancialmente unidos, tudo o que ele faz, amar inclusive, tem que refletir nessa estrutura”.

Para o místico, os verdadeiros prazeres do mundo são uma prefiguração agradável, mas ainda opaca, do êxtase que aguarda na vida que há de vir.

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