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A importância de tirar proveito dos pequenos sofrimentos

Salve Maria!

 

Estamos neste mundo em peregrinação, cujo o destino final é o Céu. Nossa razão de existir é uma só: Amar a Deus.

Há uma frase muito famosa, você já deve ter lido ela em algum lugar, principalmente se frequenta ou já frequentou uma academia: “No pain, no gain” ( que significa: sem dor, sem ganho).

Essa frase é totalmente verdadeira. Vejamos alguns exemplos: A mulher quando vai dar à luz, fica angustiada, ela sabe que vai sofrer, que será árduo, e o clímax desse sofrimento chega quando a criança está prestes a nascer, entretanto, a alegria do nascimento do bebê supera toda a dor da mãe. Se você já passou por essa experiência, pode comprová-la, mas caso não, basta ver algum vídeo que relata o parto de uma mãe, o sorriso que ela dá ao contemplar o rostinho de seu filho que acabara de nascer sobrepõe todo o sofrimento que ela passou, nem parece que a um minuto atrás ela estava gemendo as dores do parto.

Um outro exemplo de mãe, dessa vez da Santíssima Virgem Maria. Que além de ter sofrido sem estadia para o parto por que não foi acolhida, sofreu as incompreensões, sofreu a viagem até Belém, sofreu na fuga para o Egito, com a perda do Menino no templo e sofreu também a dor de seu Filho crucificado.

“Olhando esta tarde a Santíssima Virgem, eu compreendi que ela sofreu não somente na alma, mas também no corpo. Sofreu nas viagens, o frio, o calor, a fadiga…. Jejuou muitas vezes…. Sim, ela sabe o que é sofrer! ” (Santa Teresinha do Menino Jesus)

E mesmo assim, sofrendo tanto, todas as gerações a proclamam como “bem-aventurada”, feliz! (Lc 1,48)

E então, citamos aqui por fim, o maior dos exemplos. O exemplo do Nosso Senhor Jesus Cristo, que sofreu os suplícios da cruz, para remir a humanidade, e ressuscitou glorioso vencendo a própria morte!

Veja bem, estamos nesse mundo de passagem. Ou morremos com Cristo, carregando a nossa cruz, e ressuscitamos com Ele, ou enfrentaremos a morte eterna. Se não morrer em nós o homem velho e não gemermos as dores de parto para dar à luz a um homem novo, restaurado, não alcançaremos a salvação.

Já dizia sabiamente São Padre Pio, “o sofrimento é breve, mas a recompensa é eterna”. De fato, como o mesmo santo diz, “as almas custam sangue”. Se não completarmos na nossa carne os sofrimentos de Jesus, não poderemos afirmar como São Paulo, “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20)

Concluímos que, “muito custa o que muito vale” (Santa Teresa d´Avila). Sem a batalha não há vitória e sem sofrimento também.

Porém, não trata-se de “qualquer sofrimento”. Devemos fazer como Santa Teresinha do Menino Jesus, e nos perguntar:

“ Sofro muito! Mas, será que sofro bem? ”

São Luís Maria Grignion de Montfort nos alerta em sua Carta aos Amigos da Cruz:

“ Sofrer muito e mal é sofrer como condenado; sofrer muito e corajosamente, mas por uma causa má, é sofrer como mártir do demônio; sofrer pouco ou muito, mas sofrer por Deus, é sofrer como santo. ”

Sendo assim, é necessário que avaliemos como lidamos com o nosso sofrimento e suas causas. Será que sofro bem? Pelo que estou sofrendo de fato?

Não adianta fazer o certo pela razão errada. Do que adianta, por exemplo, empreender grandes coisas, realizar árduas penitencias se isso mais alimenta a vaidade do que o amor a Deus? Se assim o fizermos, voltaremos ao nosso próprio nada. Pois, essa mentalidade é farisaica, quem assim age na verdade esqueceu que Deus é Pai e busca apenas como um servo o salário dos seus serviços. Mas o que são os nossos “méritos” perto da grandeza de Deus? Se confiamos em nós mesmos, ficaremos para sempre estáticos. Caminha aquele que tem coragem de “dar tudo pelo tudo”, que sofre, ama, e não confia em si mesmo, mas na misericórdia de Deus.

Entendemos que é importante sofrer, e além disso, avaliar a causa dos nossos sofrimentos. O que faremos então para colocar isso em prática?

Primeiramente devemos compreender que, não é a força humana que faz um mártir, mas a graça de Deus. Se não, agiremos como São Pedro, que encheu o peito para dizer a Jesus: “ Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! ” (Mt 26,35). Mas na hora do “vamo ver” negou três vezes o seu Mestre.

E infelizmente, é isso o que normalmente acontece. Vemos retiros lotados, dezenas, centenas, milhares de pessoas dizendo que vão dar a vida por Cristo, mas não cumprem isso nos pequenos padecimentos e sofrimentos do dia a dia.

Por isso é preciso visar, e aí está o título desse artigo, “a importância de tirar proveito dos pequenos sofrimentos”.

Já dizia São Gabriel da Virgem Dolorosa:

“Nossa perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em executar bem as ordinárias”

Também diz a Palavra de Deus: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas o será também nas grandes. (Lc 16,10)

Um retrato claro da importância dos pequenos sofrimentos é que, não podemos evitar apenas os pecados mortais, por exemplo, é preciso evitar também os veniais! Repudiar todas as espécies de pecado! Podemos estar firmes, anos e anos sem cometer pecados mortais e não amar Jesus de todo coração, pois os pecados veniais ainda ocupam espaço em nós, e se não darmos atenção a isso, mais cedo ou mais tarde também cairemos nos pecados mais graves.

Podemos rezar horas e horas, participar de grupos de jovens, cercos de Jericó, vigílias e etc. Mas se não amarmos a Deus nos doando na vida cotidiana, expressando com ações concretas, mesmo que simples, não viveremos de fato vivemos uma metanóia (mudança de mentalidade). Aí, lavamos a louça no retiro com o maior gosto, mas não enxugamos um prato da pia de casa que a mãe já lavou com tanto esforço. Onde está a santidade em “sofrer” só quando nos convém?

“Não recuso a Cruz: porque se recuso a Cruz, recuso Jesus.” Santa Gemma Galgani

Os santos encontraram formas de sofrer por amor a Deus em tudo, até nas coisas que aparentemente são as mais “ridículas”. Veja o que escreve São Luís Maria mais uma vez em sua Carta aos Amigos da Cruz:

“O orgulho da natureza pode pedir, procurar e mesmo escolher e abraçar as cruzes grandes e visíveis; mas escolher e levar bem alegremente as cruzes pequenas e ocultas só pode ser o efeito de uma grande graça e de uma grande fidelidade a Deus. Fazei, pois, como o comerciante com o seu negócio: tirai proveito de tudo, não deixeis perder-se a mínima parcela da verdadeira Cruz, mesmo que seja uma picada de mosca ou de alfinete, a perda de um níquel, uma perturbaçãozinha da alma, um leve cansaço do corpo, uma dorzinha num dos membros, etc. Tirai proveito de tudo, como o merceeiro em sua mercearia, e, assim como ele enriqueceu em dinheiro, juntando moeda por moeda em seu cofre, breve estareis ricos em Deus. Ao menor contratempo que sobrevier, dizei: ‘Deus seja bendito! ‘ ‘Meu Deus eu vos agradeço! ‘, depois escondei na memória de Deus, que é vosso cofre, a cruz que acabais de ganhar, e só vos lembreis dela para dizer: ‘Obrigado!’ ou ‘Misericórdia!’”.

Santa Teresinha viveu isso de forma heroica em sua vida através da Pequena Via, onde ela buscou a cada instante se ofertar a Deus como um holocausto de amor nas pequenas coisas do dia a dia.

Que possamos então avançar no amor sofrendo por Jesus, que se entregou por nós, e não sofrendo de qualquer forma, mas entendendo o valor do sofrimento, a importância de refletirmos se sofremos bem e a coragem de nos entregarmos nos pequenos sofrimentos do dia a dia.

Nesses tempos de quarentena Deus nos dá essa graça, essa oportunidade de colocarmos tudo isso em prática. É o momento de em vez de murmurarmos procurarmos amar e servir dentro de nossas possibilidades. Que o Santo Espírito de Deus nos guie nessa jornada.

“As almas grandes têm muito em conta as coisas pequenas” (São Josemaria Escrivá)

Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

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