Castidade: uma pedra no sapato ou uma escada para o verdadeiro amor?
Salve Maria! Esta aula está dentro do curso em Texto sobre a Virtude da Castidade. Vamos à nossa primeira aula!
Direto e reto: o que é a Castidade?
A Castidade é uma virtude que engloba todos os estados de vida (ou seja: solteiros, namorados, noivos, casados, sacerdotes, viúvos, celibatários, religiosos…) e não é um voto secreto ou uma escolha que posso ou não fazer, é um mandamento do próprio Deus que nos chama a Santidade.
Castidade vem do latim castus, que significa puro e é considerada por São João Bosco como a Rainha das Virtudes.
Pelo mundo moderno e egoísta, a Castidade — “tadinha dela…” — é vista como uma prisão, algo que ficou no passado, uma ideia idiota, ou que quem a vive está “perdendo sua juventude”, mas ela é uma arma para defendermos a nossa capacidade de Amar e um remédio contra o Egoísmo!
O que pode fazer o homem se não Amar? Viver uma vida santa e casta é viver a vida como o Senhor sonhou.
Em um mundo obsceno e impuro, amar não cabe em seu vocabulário, e por isso, a castidade é vista de forma deformada, como repressora e sem sentido.
“Um mundo impuro é um mundo morto e absorvido pelo egoísmo.” Estar fora de uma vida casta é viver no egoísmo, pois vejo o outro como um objeto a ser usado e conquistado, e não como um filho de Deus. O egoísmo é uma prisão que nos faz escravos e leva o outro a escravidão; transforma o olhar puro e inocente em um olhar capaz de enxergar o próximo apenas como um pedaço de carne.
Vamos entender…
Aquilo que é precioso, guardamos “à sete chaves”, não deixamos nas mãos de qualquer um e nem saímos mostrando por aí. Nosso corpo, nossa afetividade e sexualidade são pedras preciosas, somos templo do Espírito Santo 1 e temos que conservá-los, conservando assim a nossa capacidade de amar.
Assim, a virtude da castidade não pode ser “entendida como uma virtude repressiva, mas, pelo contrário, como a transparência e, ao mesmo tempo, a guarda de um dom recebido, precioso e rico, o dom do amor, em vista do dom de si que se realiza na vocação específica de cada um” 2.
Por exemplo, quando bebo água, procuro que ela seja limpa e não suja. O mesmo podemos dizer do ar, do alimento.
Mas o que é uma virtude?
No parágrafo 1803 do Catecismo da Igreja Católica está escrito que “a virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. […] Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, […] o objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus.”
.: Leia mais sobre “O que são virtudes?”
Então, a Castidade é uma forma de com Força Sensível e Espiritual, buscarmos um Coração como o Coração de Cristo e mais: poder um dia na Glória do Céu contemplar a Deus eternamente!
“
Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5,8).
E como faço isso?
Muitos acreditam que viver a Castidade é deixar de fazer sexo até o casamento, mas ela está muito além disso!
A castidade engloba:
- Nossos pensamentos e olhares, pois disse Jesus: “todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher já adulterou com ela em seu coração” 3.
- Passa por nossas palavras (evitando palavras impuras e de promiscuidade.)
(Aqui cabe um parênteses: o “sexo por telefone” ou ainda as mensagens que estimulam nosso apetite sexual também se enquadram como pecado grave.) - Atinge por fim nossas atitudes exteriores: para os solteiros, o famoso “ficar”; para os namorados, as carícias em partes íntimas ou atitudes como a jovem sentar no colo do rapaz, o sexo fora do matrimônio; e assim por diante.
“Se queres ser feliz, sê casto”. (Santo Agostinho)
Mas Tiago, existe um manual dizendo o que pode e o que não pode? Como vou saber se estou pecando ou não?
Esta dúvida ronda principalmente os jovens namorados e solteiros, e um dia, escutei um conselho de um amigo, onde um Sacerdote disse à ele:
É simples… imagine como você beijaria Cristo Crucificado.
Diz a Imitação de Cristo:
“Onde quer que estejamos, Deus nos vê. Devemos prestar-lhe profunda reverência e andar na Sua presença, puro como anjos.” 4
Certo… isso é muito difícil, para não dizer “impossível”!
Essas palavras parecem ser muito duras… e são! Parece ser algo impossível de se alcançar, ou que nunca conseguiremos.
Primeiro, nos diz São Paulo no versículo 12 e capítulo 4 da Carta aos Hebreus: “Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado.” e diz São Josemaria Escrivá no Livro “O Caminho”: “Para defender sua pureza, São Francisco de Assis rolou na neve, São Bento se jogou em um arbusto de espinhos, São Bernardo trancou-se em um depósito gelado. E você, o que fez?”
Mas, existem casos mais sérios… Já escutei pessoas dizendo que estavam mal psicologicamente e fazendo tratamento psiquiátrico porque “escolheu viver a castidade”, e vamos entender que na verdade isso pode acontecer… por que?
Nós temos uma inclinação natural à esses desequilíbrios na vida sexual e afetiva e mais: o coração do jovem anseia por sentido, logo, devemos olhar para a castidade não como algo inserido em uma lista de deveres e obrigações, mas um objetivo de vida, um meio de melhor amar nosso Senhor Jesus Cristo.
“Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7)
Se nós tentamos reprimir dentro de nós essa inclinação, vamos sofrer tormentos e em algum momento iremos explodir. A Castidade é uma virtude para se conquistar amando a Deus e ao próximo. Quando entendo que ela me ensina a amar e olhar o próximo como Filho de Deus eu mudo minha forma de vê-la e vivê-la.
“Onde abundou o pecado, superabundou a graça”5 diz São Paulo ou seja, com a graça de Deus nós somos capazes de amar! E este é o segredo: aprender de Jesus que é manso e humilde de coração. (cf. Mt 11, 29)
“O jovem não foi feito para o prazer, mas para o desafio”, dizia o filosofo francês Paul Claudel.
Aquele que vive segundo a carne, realmente enfrentará sérios problemas para entender e buscar a Castidade, mas os que vivem segundo o Espírito — ainda que tropecem, pequem e caiam — buscarão o recomeço, pois sabem que necessitam da Santa Virtude.
Escolher a castidade é escolher o amor!
[1] 1 Coríntios 6, 19
[2] Conselho Pontifício para a Família, Sexualidade Humana: Verdade e Significado, n. 4.
[3] São Mateus 5, 28
[4] Dos exercícios do bom religioso
[5] Romanos 5, 20