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Uma teologia do corpo?

Não é de hoje que muitas pessoas não entendem o real significado do corpo humano. Existem muitas trevas e confusões que nos rodeiam. Pense bem, quando se fala sobre o “corpo”, costuma-se pensar nele como um empecilho para a alma e para o crescimento espiritual. Por isso, pode soar estranho escutar as palavras: “Teologia do Corpo”. Sendo “Teo”, “Deus”, e “logia”, “estudo”, como relacionar um “estudo de Deus” com o corpo? 

Iremos neste artigo, meditar a respeito do significado dos nossos corpos e perceber o quanto eles são muito teológicos. 

Há tempos o ser humano entra em contradição em questões a respeito do corpo humano, a seita maniqueísta do século III d.C, já difundia a ideia de que a matéria é má, ou seja, que tudo que é material é mal, e somente a alma seria elevada. Até mesmo Santo Agostinho já se confundira quanto a isso, e antes de se converter, passou anos preso ao maniqueísmo. Entretanto, após encontrar-se com a verdade, Agostinho conseguiu perceber o quanto tudo aquilo não fazia sentido algum, e combateu aquela seita, contrapondo seus argumentos inclusive na sua famosa obra: “Confissões”.

A seita herética dos albigenses (também conhecidos como cátaros), combatida por São Domingos de Gusmão, surgiu no sul da França e norte da Itália, entre os anos 1100 e 1220. Herdeiros do dualismo maniqueísta – que separa o corpo e alma – os albigenses considerava que a matéria pertencia a Satanás, eram contrários ao matrimônio e abertos ao suicídio. São Domingos combateu esses males através da devoção ao Santo Rosário.

Essas seitas dualistas, como fomos capazes de perceber, são muito antigas e sempre foram combatidas pela Santa Igreja. Por que será que hoje, muitos ainda consideram que a Igreja é aquela que condena e despreza o corpo se desde sempre ela lutou a favor dele?

A estratégia do inimigo sempre foi perverter a bondade de Deus, perverter a criação divina para o mal. Foi assim com Adão e Eva e continua sendo assim nos dias atuais. Não é à toa que existam tantas confusões a respeito do corpo, o demônio sempre tenta perverter o sagrado. 

“Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o Templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isso sois vós.” (1Cor 3, 16-17)

O ser humano é um composto: corpo e alma. Nós não podemos separá-los, os dois juntos nos compõem. Um corpo sem alma é uma aberração, à medida que uma alma sem corpo também é, como nas ficções de zumbis e fantasmas. Nós não somos aberrações, somos esse composto unido que deve estar sempre em harmonia. Não somos aberrações, mas podemos nos transformar em uma se quisermos viver só pelo corpo ou só pela alma. 

Essa verdade foi esplanada com maestria por São João Paulo II em sua Teologia do Corpo. Por mais que pensemos que o corpo seja mal, ou um empecilho para a salvação não podemos esquecer que, o próprio Deus se encarnou! Como nos ensina São João Paulo II: 

“Pelo fato do Verbo ter-se feito carne, o corpo entrou pela porta principal da teologia”. 

Jesus se encanou para redimir a humanidade decaída através do pecado original. Ao se encarnar, Jesus torna visível o amor do Deus invisível.

“O corpo e só ele, é capaz de tornar visível o que invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido desde a eternidade em Deus e, assim, ser seu sinal”.

O corpo é sinal do divino. Isso não deveria nos espantar pois, fomos criados a imagem e semelhança de um Deus que é amor infinito, e é claro que Ele imprimiu isso em nossos corpos. 

As diferenças sexuais, por exemplo, nos ensinam que o ser humano não pode bastar a si mesmo. Que ele não nasceu para estar só, como se sentiu Adão antes da criação de Eva: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada” (Gn 2, 18). O homem nasceu para a comunhão, e uma comunhão verdadeira, que deseja compartilhar o dom de Deus! Essa necessidade de um complemento, nos aponta para algo muito maior: A necessidade da união com Deus. 

Como bem disse o professor Stanislaw Grygiel: 

“Se nós não vivermos corretamente as diferenças sexuais que distinguem homem e mulher e os chama à união, nós não seremos capazes de compreender as diferenças que distinguem o homem e Deus e constituem um primordial chamado à união. Assim, nós poderemos cair no desespero de uma vida separada dos outros e do Outro, isto é, Deus”. 

Com isso, podemos entender um pouco mais a respeito de nós mesmos, pois o nosso corpo e alma constituem quem nós somos. 

Deus vos abençoe!

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