Com muita caridade, São Bernardo de Claraval exortava em um de seus sermões:
“Se sois sábios, sede reservatórios e não canais”.
Talvez, você já tenha ouvido alguém falar em algum grupo de oração, acampamento, apostolado, pastoral ou movimento dentro da Igreja: “Precisamos ser canais da graça de Deus!”. Com certeza, essa pessoa tinha a maior das boas intenções, mas nesse artigo vamos refletir o quanto, como nos ensina São Bernardo, é muito melhor ser um reservatório da graça do que um canal dela.
São Josemaria Escrivá sabiamente disse: “Alma de apóstolo: primeiro tu”. Será que São Josemaria estava sendo egoísta ao dizer isso? Primeiro tu? Não devemos colocar os nossos irmãos sempre em primeiro lugar e doar a nossa vida a eles dentro do nosso apostolado?
Vamos entender o que ambos os santos estavam querendo dizer. Não se trata de egoísmo ou auto piedade, não! A questão é que, não podemos ser evangelizadores de ações longas e orações curtas. Muitas vezes, somos tentados a cair na presunção de que somos capazes de mudar o mundo com a ação de nossas próprias mãos dentro do nosso apostolado, e acabamos esquecendo que, o que faz um apostolado ser verdadeiramente fecundo é antes de qualquer coisa: a vida interior! Pois, tudo é graça de Deus!
Por isso São Josemaria disse, “primeiro tu”! Antes de conquistarmos almas para Deus, a nossa alma precisa ser conquistada e caminhar concretamente na vida interior. Do contrário, acontecerá como também nos ensina São Josemaria:
“É inútil que te fadigues em tantas obras exteriores, se te falta Amor. – É como costurar com uma agulha sem linha”.
Isso já nos dá um norte para entendermos a importância de sermos “reservatórios” e não “canais” da graça de Deus.
Se observamos, os canais deixam correr a água recebida, não guardam nenhuma gotinha para si. Os reservatórios, pelo contrário, primeiro se enchem e depois vão transbordando, vertendo torrentes de água incessantemente renovadas sobre os campos que fertilizam.
Dentro da evangelização, quantos são aqueles que são apenas canais e depois de um serviço, acabam ficando secos e não conseguem mais perseverar na mesma vida fiel que se propuseram a viver lá no começo?
A intenção pode até ser boa, esses canais podem até irrigar parte do campo, mas não conseguem se manter firmes. Pois, deles não transbordam incessantemente a graça como nos reservatórios.
“Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna” (Jo 4, 13-14)
Como disse São Bernardo, por volta do século XI e XII: “há hoje na Igreja muitos canais, mas reservatórios, muito poucos”. Infelizmente, vemos que mesmo no século XXI, a realidade é a mesma.
Diante dessa reflexão, você quer ser um canal ou um reservatório da graça de Deus?
Se a sua resposta é: “Quero ser um reservatório da graça!”. Então, coloque essa meta em sua vida!
Vamos viver vida interior concreta, vida de oração, vida nos sacramentos, vida de devoção mariana e assim caminharmos sempre cheios da graça, perseverantes e não secos, infiéis e cansados.
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!