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Três graus para descer à iniquidade

Salve Maria Santíssima!

Você tem dificuldade em saber se pecou, ou não, diante da tentação? Sofre com os escrúpulos? Então este artigo é para você!

São Francisco de Sales, em sua obra “Filoteia”, nos apresenta e exemplifica os três graus que podem nos levar à perversão da alma, a saber: tentação, deleitação e consentimento, respectivamente.

  • Vamos começar definindo cada um destes graus:

O primeiro grau, como mencionado anteriormente, é a tentação. A tentação é o momento em que somos expostos ao pecado. Diante da tentação, principalmente àquelas que atentam contra a pureza, queremos inibir o nosso “sentir”, o que é um grande erro. O homem não é somente alma, possuímos um corpo; negligenciar o sentir, é contrariar a essência humana. Portanto, o que configura o pecado não é se sentimos ou não; sentir é diferente de consentir. Nisto, entramos nos próximos graus da iniquidade:

Ao sermos tentados, podemos nos comprazer àquilo que nos é apresentado, ou desgostar; chamamos este grau de deleitação. Como é de nosso conhecimento, o homem é corpo e alma, denominados por São Francisco como parte inferior e superior, nesta mesma ordem. O grande perigo da deleitação está na parte inferior, ou seja, a carne! Por mais que nossa alma tenha consciência do que agrada ou não à Deus, a vontade do nosso corpo pelos prazeres desta terra, tende a ser maior. Eis a importância de sermos homens e mulheres de caráter forte; enquanto formos escravos de nossas vontades e desejos carnais, facilmente nos deleitaremos com prazer diante das tentações.

Por fim, passadas a tentação e deleitação, o último grau é o consentimento, que consiste em consentir ou rejeitar o pecado. Por mais que nosso corpo goste da tentação, o que caracteriza o pecado é o consentimento, ou seja, se nos entregamos à tentação ao invés de lutar com firmeza e resistir. Contudo, se não há entrega à tentação, certamente não há pecado.

Caríssimos, se é possível lutar, lutemos! Mas, você deve estar se perguntando: “como vencer a tentação?”. Atente-se às palavras de São Jerônimo:

“Logo que sentimos os movimentos da carne, comecemos a gritar: Senhor, sede o meu auxílio!”.

É na oração que nos refugiamos no lado aberto de Cristo! Se queremos vencer tudo àquilo que é mal, devemos unir nossos esforços à Graça Divina. Nenhuma luta espiritual é vencida sem o auxílio da Graça.

  • O combate de Santa Catarina de Siena

 Para vos encorajar a não consentir às tentações, eis uma história de Santa Catarina de Siena, Doutora da Igreja, narrada nas palavras de São Francisco:

“O espírito maligno obteve permissão de Deus para assaltar a pureza desta santa virgem, com a maior raiva que pudesse, contanto que não chegasse a tocar-lhe: ele fez, pois, toda a sorte de sugestões impudicas ao seu coração; e para melhor a comover, vindo com os seus companheiros em forma de homens e mulheres, fazia uma infinidade de impurezas e desonestidades à sua vista, ajuntando palavras e convites em extremo desonestos; e posto que todas estas coisas foram exteriores, contudo por meio dos sentidos penetravam bem dentro do coração da virgem, o qual, como ela própria confessava, estava inteiramente cheio delas, não lhe ficando mais do que a pura vontade inteiramente superior, que não foi agitada por esta tempestade de torpeza e deleitação carnal. O que durou muito tempo, até que um dia Nosso Senhor lhe apareceu, e ela lhe disse:

‘Onde estáveis Vós, meu doce Senhor, quando o meu coração estava cheio de tantas trevas e imundícies?’. Ao que ele respondeu:

‘Eu estava dentro do teu coração, minha filha’.

‘E como’, replicou ela, ‘habitáveis dentro do meu coração, onde havia tantas vilanias? Vós habitais em lugares tão desonestos?’. E Nosso Senhor lhe tornou:

‘Dize-me, esses pensamentos imundos do teu coração davam-te prazer ou tristeza, amargura ou deleitação?’. E ela disse:

‘Extrema amargura e tristeza’. E Ele replicou:

‘Quem era aquele que infundia esta grande amargura e tristeza dentro do teu coração, senão eu, que permanecia contido no íntimo da tua alma?’ […].”

Vejam, meus irmãos, quão belo ensinamento nos deixa esta Grande Santa, que não sentiu prazer e nem consentiu às tentações que o demônio e seus companheiros lhe dirigiam. Uma alma devota que recorre à Deus a todo o momento, tem a força necessária para lutar contra a tentação, não se comprazer e não consentir com o que lhe é oferecido.

Ó alma católica, quão feliz serás se não se entregar aos divertimentos desse mundo. Sejamos fortes na luta contra o pecado e fiéis no caminho da santidade!

Santa Catarina de Siena e São Francisco de Sales, rogai por nós.

Fonte: conteúdo inspirado no livro “Filoteia” de São Francisco de Sales, Quarta Parte da Introdução.

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