Você sabia que o silêncio pode ser um verdadeiro remédio?
Os santos sempre exortaram a respeito do silêncio, ele de fato é essencial na nossa vida de oração. Nesse artigo vamos refletir e descobrir em quantos inúmeros momentos da nossa vida podemos aplicar a medicina do silêncio.
Há um antigo provérbio que diz: “Não abras a boca senão quando estiveres certo de que as tuas palavras serão mais belas que o teu silêncio”. Não sei quem o escreveu, mas talvez ele tenha se inspirado na exortação de São Paulo aos efésios:
“Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil e, sempre que for possível, benfazeja aos outros” (Ef 4,29).
É muito possível, que nem todas as palavras que saiam da nossa boca sejam “más”, ou seja, palavras que humilhem os outros, ou que causem algum tipo de dano (insulto, difamação e assim por diante). Mas, é muito possível que várias palavras que saiam da nossa boca, sejam inúteis. E por serem inúteis, banais, incomodem tanto quanto as palavras explicitamente maldosas.
Em seu livro intitulado: “Tonar a vida amável”, Padre Faus faz um adendo de palavras que precisam da medicina do silêncio. Vejamos quais são elas e apliquemos esse santo remédio em nossas vidas:
– Palavras emocionais: Aquelas palavras impensadas, que soltamos quando estamos com os sentimentos a flor da pele. Censuras feitas na hora, exclamações nervosas, avaliações precipitadas, comentários imprudentes…
É necessário saber exercitar o silêncio medicinal em momentos assim. Nos ensina Padre Faus que: “Segurar a língua é uma mortificação santa, difícil, mas necessária […] Só a alma a alma espiritualmente forte consegue dominar emoções que espirram em palavras impensadas”.
Que esse conselho de São Josemaria possa nos guiar na hora da irritação:
“Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afetuosa do que com três horas de briga. – Modera o teu gênio”. (Caminho, n. 10)
– Torrentes verbais: Em outras palavras, tagarelice. De quem fala, fala e fala. Não escuta e não percebe que acaba sufocando os outros.
Que tal mortificar essa tagarelice e rezar com o Salmo: “Senhor, ponha uma sentinela na minha boca!” (Sl 39,2 Vg)?
– Palavras vaidosas: Aquelas palavras de quem sempre têm que “meter a colher”. De quem dá a sua opinião sobre tudo, mesmo que ninguém a tenha pedido. Basta um novo assunto dominar as redes sociais para que os “especialistas” comecem a aparecer, manifestando a sua “importante posição” diante do contexto mundial.
Essas atitudes são muito desagradáveis. Para que passar a vida querendo ser o “sal de todos os pratos” (Caminho n. 48)? Será que temos tanto conhecimento para ficar distribuindo “lições magistrais”? Será que o intuito dessas “lições” é realmente informar? Ou na verdade estamos alimentando a nossa vaidade?
Nesses casos, não se trata somente de lutar para controlar a língua, mas de suplicar a Deus a virtude da humildade.
– Palavras secas: São aquelas palavras rudes, ásperas, mal-educadas. Geralmente as pessoas que falam assim costumam se desculpar dizendo: “Esse é o meu jeito de falar”, “faz parte do meu temperamento”. Pois é exatamente isso que precisar mudar! Chega de desculpas, um pouco de educação e cortesia não vão te matar, muito pelo contrário, tornarão a sua vida e a de outros, muito mais amável.
Faça sua reflexão e lembre-se de refletir sobre você! Não é hora de pensar: “Fulano deveria ler isso, pois ele age tão mal!”. E sim de dizer: “Eu preciso ler isso e ser uma pessoa melhor!”.
Que possamos aplicar sempre a medicina do silêncio em nossa vida e assim, torná-la mais amável. Que Deus vos abençoe!
Fonte: (FAUS, Francisco, Tonar a vida amável. São Paulo: Cultor de Livros, 2016)