Salve Maria Puríssima!
Se algo na nossa vida não acontece como gostaríamos a culpa geralmente recai sobre terceiros. Deus na maioria das vezes está no primeiro lugar desse ranking na busca de achar os culpados. Se não, são os nossos irmãos, as circunstâncias, o temperamento, o humor, o clima, porque saturno não estava na rotação adequada… e blá, blá, blá.
Quando os relacionamentos não dão certo isso também acontece. Na intenção de achar culpados acaba-se esquecendo o verdadeiro problema, que é maior do que qualquer circunstância: a decisão de ter construído um relacionamento sob um castelo de areia e não sob um forte de guerra!
Se você está cansado(a) de “blá, blá, blá”, nos seus relacionamentos e quer encarar a verdade, esse artigo é para você!
O começo de um relacionamento costuma ser um conto de fadas. Chamam até de fase inicial “mágica”. Onde tudo ocorre nas mil maravilhas, borboletas no estômago, sorrisos bobos ao receber mensagens, a pessoa do seu lado parece perfeita e sem defeitos. Se observarmos casais de longa data, veremos que esse “fogo” inicial não existe mais, a relação entre os dois é muito mais serena e eles não costumam relatar o quanto “sentem” coisas extraordinárias um pelo outro, mas sim o quanto amam um ao outro sem medidas.
Nessas duas realidades, você consegue responder qual das duas apresenta um amor mais maduro e responsável?
Se você respondeu a segunda, dos casais de longa data, está mais do que certo. E vamos destrinchar o porquê disso.
Você já deve ter ouvido falar que o amor é uma construção. E de fato o é. O amor se constrói de pouco em pouco, assim como um grande edifício se ergue aos tijolos o amor também se constrói assim. No entanto, a diferença entre um relacionamento maduro e responsável e um relacionamento doentio que se encerra, em casos mais graves com infidelidades, brigas e etc. está no material usado nessa construção.
O ser humano é um composto de corpo e alma. Não somos só corpóreos como os animais, nem só espirituais como os Anjos. Entretanto, por vezes esquecemos essa verdade, e ao nos relacionarmos com alguém costumamos dar atenção somente as nossas atrações.
Atrações afetivas, ligadas ao emocional, ao sentimento. Ao iniciar um relacionamento os casais geralmente buscam “validar seus sentimentos”, ficando voltados para dentro, para aquilo que é subjetivo. Quando na realidade eles deveriam estar empenhados em conhecer mais sobre o valor objetivo da pessoa que está ao seu lado, sua realidade, e não se afundar no próprio subjetivismo. Esse subjetivismo é perigoso, pois ao voltar-se para si, acaba fazendo com que o “ideal” prevaleça sobre o real. E pode até projetar no outro, valores que na verdade ele tem. Quando o casal se dá conta disso, a desilusão pode gerar ódio.
Não é que os sentimentos sejam ruins, mas sozinhos eles não constroem um amor concreto. Sentimentos são muito instáveis, vão e vem. E os sentimentos desse “fogo” inicial dos relacionamentos passam no máximo em alguns anos. O que sobra é o valor da pessoa amada e o amor.
É comum escutarmos: “Terminamos porque não tinha mais ‘química’ entre nós”, “terminámos porque ele (a) não era o que eu pensava”. Realmente, relacionamentos baseados mais em sentimentos do que em valores objetivos costumam acabam assim, superficialmente. Pessoas não são só átomos para que um relacionamento se baseie em uma química.
Quando se propõe viver um relacionamento com uma pessoa é com a pessoa! Tome cuidado para não enxergar só o corpo do outro, veja-o por inteiro. O problema não está em se sentir atraído, mas em reduzir o relacionamento e o outro a isso, é necessário controlar os instintos, não veja o outro como um animal vê seu correspondente. Veja seu parceiro em sua integralidade, sem reduzi-lo ao seu corpo, ele é corpo e alma. Um relacionamento que reduz a pessoa humana a um objeto de prazer está fadado ao fim.
Quando construímos nossos relacionamentos baseados em atrações, sentimentos e sensualidade estamos construindo um castelo de areia. Quando a maré sobe e o amor é posto à prova, o mar leva tudo. Não sobra nada.
Tenho certeza que você não deseja um relacionamento assim. Portanto, é necessário tomar a decisão de não mais construir um castelo de areia e sim um forte de guerra! E a nossa luta é pela valorização da integridade do ser humano, assim como Deus o vê.
Fazemos isso ao basearmos o nosso relacionamento não nas atrações citadas a cima, mas sim na verdade e no valor da outra pessoa. Não quer dizer que você precisa ser “frio e calculista”, não! O amor também se rega com ternuras e afetos sadios. Mas é preciso ter em mente que mais importante do que os sentimentos e os valores sensuais do corpo é o valor objetivo daquela pessoa que está ao seu lado.
Como aqui já explicamos, o ser humano é um composto espiritual e corpóreo. Por que olhar para essas realidades separadamente se elas devem, pela nossa própria natureza andar juntas?
Para construir um forte de guerra não devemos desprezar essas realidades. Não se trata de excluir as atrações do ser humano, mas de subordiná-las ao amor. Pois, como nos ensina São João Paulo II, em seu livro intitulado “Amor e Responsabilidade”, que ele escreveu ainda cardeal:
“Na plena acepção do termo, o amor é uma virtude e não só um sentimento, e muito menos uma excitação dos sentidos […] O amor enquanto virtude está orientado pela vontade para o valor da pessoa”.
Que Deus vos abençoe na construção desse forte de guerra, e não mais de castelos de areia, paixões passageiras, que não são firmes o bastante para permanecer.
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!