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Pela pureza enxergamos a Verdade

Salve Maria Puríssima! 

Você já ouviu alguém falar sobre contemplar a Deus através da criação? Já teve essa experiência? O eco do Criador ressoa em toda a sua criação, é preciso de atenção e de um coração puro para nota-lo. Vamos meditar sobre isso? 

Como é interessante contemplar a criação e ver nela a grandeza de Deus! Olhar para o céu, para as estrelas, para os animaizinhos e ver que diante de tanta beleza há um Deus grandioso que sustenta tudo isso! Que sem Ele nada disso existiria! De fato, a natureza nunca se revolta contra Deus, muito pelo contrário, está sempre a seu favor, vemos isso claramente quando Jesus entrega Sua vida por amor: 

“Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. ” (Mt 27, 50-51)

Porém, nesse contemplar a Deus através da criação há uma parte essencial dela que por vezes é esquecida e nos últimos séculos vem sendo até desnaturalizada: O próprio ser humano. 

A resposta para o porquê de o ser humano não conseguir contemplar a Deus no outro é simples: A dureza do nosso próprio coração (cf. Mt 19,8). 

O egoísmo do homem vem desnaturalizando o que ele realmente é, ao visar e ter como objetivo os seus próprios interesses e prazeres tudo ao seu redor torna-se um meio para isso. E isso é extremamente prejudicial.

Pensemos juntos, quando estamos com sede qual o nosso objetivo? Saciar a nossa sede! E o que fazemos? Bebemos água! Pegar um copo para beber água foi o meio, a forma encontrada para alcançarmos o nosso objetivo de matarmos a nossa sede. Nós podemos usar esse meio sem nenhum problema, desde que não haja exageros. 

Há entretanto um grave problema em nossa sociedade. O ser humano tem utilizado as pessoas como meios para atingir os seus objetivos, ele tem usado as pessoas para satisfazerem os seus próprios extintos e atrações. Mas há uma grande diferença entre o copo que usamos para matar a nossa sede e uma pessoa, seres humanos não são objetos. 

Em Gênesis está escrito:

“Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher”. (Gn 1,27)

Deus quis criar o homem a sua imagem e semelhança. Criou o homem livre, dotado de uma interioridade com caráter espiritual. Com isso estamos querendo dizer que Deus criou o homem diferente dos animais, o homem possui uma interioridade com caráter espiritual, ou seja, o ser humano possui alma, alma esta que anseia e busca pela verdade. Os animais não a possuem, são movidos somente pelos seus extintos e necessidades, caso a cadela esteja no cio, o cachorro se relacionará com ela sem hesitar, mesmo que ela seja um membro da sua “família”, por exemplo. Já o ser humano não é assim, buscando da forma correta ou não, ele sempre anseia por aquilo que é belo, bom e verdadeiro

Mas quando o homem passa a tratar os outros como um objeto pelo próprio prazer, tornando-se também um objeto para o outro, é como se ele tentasse fingir que essa realidade espiritual não existisse, descaracterizando o homem da sua verdadeira essência. 

Aí entra o importante papel da Igreja que é tão atacada. Muitos dizem que a Igreja oprime as pessoas com seus mandamentos, por velar pela pureza e castidade. Dizem até que a Igreja “condena o corpo humano”. Quem pensa assim infelizmente não conseguiu contemplar a verdade por trás da moral católica. 

O fato é que: A Pureza é necessária para enxergar as coisas como elas realmente são! 

É por isso que a Igreja nos aponta tanto a importância da virtude da castidade. Pois através dela buscamos tirar o prazer de cena, não porque ele seja ruim, mas sim porque se não vivido da forma certa ele pode nos cegar e nos desnaturalizar, fazendo com que tratemos os outros e a nós mesmos como objetos. Ao tirar o prazer de cena podemos contemplar o verdadeiro valor das pessoas! 

E assim, ao contemplar o outro com um olhar puro e maduro, não com um olhar egoísta, somos capazes de contemplar o Criador, que fez daquela pessoa um ser humano livre, feito para amar e ser amado e não usado! 

A igreja não condena o corpo, muito pelo contrário, ela o valoriza e não quer que templo do Espírito Santo seja deturpado! “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? ” (1 Cor 6,19). Ela sabe a verdadeira essência do ser humano que é corpo e alma. Por isso o objetivo último da pureza é ver o mistério de Deus no corpo e por meio do corpo. Como está escrito no Livro da Sabedoria, “é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor” (Sb 13,5). 

E como São João Paulo II nos ensina com maestria na Teologia do Corpo (n. 57):

“A pureza é a glória do corpo humano diante de Deus. É a glória de Deus no corpo humano”

 

Pense em quantas pessoas você já desnaturalizou e quantas vezes fez isso consigo próprio. Será que esse é o melhor caminho? A contrição e a confissão dos nossos pecados derramam sobre nós a Misericórdia de Deus e nos dão força apara mudar o caminho! 

Que o Senhor nos dê um coração puro, capaz de contemplar as coisas como elas verdadeiramente são, que entende o valor das pessoas e sua dignidade como filhas de Deus! 

Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós! 

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