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Os olhos veem pelo coração

Salve Maria Puríssima!

Você já sofreu alguma incompreensão? Todos nós sabemos o quanto isso pode ser doloroso. Em seu livro “Tornar a vida Amável”, Padre Faus nos alerta, porém, que prender-se às incompreensões e sempre queixar-se delas pode se tornar um “vitimismo”. Nesses casos é sempre importante “dar uma virada ao verbo compreender”, fazendo a passagem da voz passiva “não sou compreendido” para a voz ativa “eu é que tenho que compreender”.

Ao tentarmos compreender as pessoas acabamos nos deparando com a própria dureza do nosso coração. É por isso que as vezes é tão difícil compreender e tão mais fácil querer ser compreendido.

Em seu livro Padre Faus relembra a narrativa de São Lucas, que relata o dia que Jesus, estando sentado à mesa com outros convivas na casa de um fariseu chamado Simão, perdoa uma mulher (Maria, irmã de Lazaro) que ajoelha-se diante de dEle para banhar-lhe os pés com lágrimas e ungi-los com perfume, beijar-lhes os pés e enxuga-los com seus cabelos.[1] O fariseu logo reprova o ato e critica Jesus como lemos na passagem: “Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora” (Lucas 7,39)

Enquanto o fariseu não compreendeu a mulher, Jesus a perdoou: “Por isso te digo: ‘seus muitos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor’”. E ainda completa, “Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama”. (Lucas 7,47)

Os olhos veem pelo coração, ou seja, o coração serve como um filtro para o que somos capazes de ver. Se temos um coração orgulhoso e invejoso logo só veremos as faltas dos outros, faltas estas que na verdade existem dentro de nós em primeiríssimo lugar.

Não é à toa que a Palavra de Deus nos alerta:

“Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão. ” (Mateus 7, 3-5)

E veja bem, não quer dizer que não é necessário corrigir ou aconselhar os nossos irmãos quando necessário, muito pelo contrário, se não, não estaria escrito: “E assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão”. Mas, inicialmente nos é pedido: “Tira primeiro a trave do teu olho”.

Se ao invés de julgar, o fariseu tivesse retirado a trave de seu próprio olho, talvez ele mesmo, se colocando no lugar daquela pecadora arrependida, também teria se arrependido de seus pecados e se convertido para Cristo

Por isso, é necessário fazermos sempre um exame de consciência iluminado pela própria Luz (que é o Cristo)! Aí é o momento que de cegos tornamos a ver e percebemos o quão ingratos somos e quão melhores podemos ser fortalecidos pela graça de Deus.

Para nos auxiliar, Padre Faus nos dá dois questionamentos que podemos aderir ao nosso exame e meditar sobre:

– Quais são as pessoas que mais me aborrecem de modo que quando as encontro ou penso nelas, a primeiro coisa que me vem à cabeça são os defeitos desagradáveis que têm? Por que as vejo assim? Não diga: “Porque são chatas, porque não me tratam bem, porque me incomodam”. Pergunte-se antes: “Quais são os defeitos meus – que não reconheço por falta de humildade -, que me levam a julgar negativamente essas pessoas?”

-Outra pergunta: Não acontecerá que eu tenha precisamente os defeitos que me incomodam nos outros? Talvez o meu espírito crítico me avise em silêncio de eu que deveria começar por extirpar tais defeitos de mim… Penso que, se procurássemos fazer isso, Jesus nos diria: “Agora que você tirou sua trave do olho poderá ajudar seu irmão a retirar o cisco do olho dele” (cf. Mt 7,5)

Que Deus nos abençoe e nos dê a graça de sermos humildes!

“De acordo: essa pessoa tem sido má contigo. – Mas não tens sido tu pior com Deus?” (São Josemaria Escrivá)

1.Lucas 7, 36-38

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