Salve Maria Auxílio dos cristãos!
Hoje (28/04) celebramos a memória litúrgica de Santa Gianna Beretta Molla! Você conhece a história dela? Sabia que ela alcançou a santidade constituindo uma santa família? Nesse artigo conheceremos um pouco da inspiradora história dessa santa e meditaremos os escritos de São João Paulo II em sua Carta Apostólica Familiaris consortio.
Gianna Beretta nasceu em Magenta (Milão, Itália) dia 4 de outubro de 1922. Nascida em berço católico ela recebeu uma ótima educação de seus pais.
Na sua juventude ela não deixou de associar seus deveres e estudos com a fé. Muito pelo contrário, mesmo se formando médica cirurgiã ela se empenhava em um apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente.
Aliás, ela encarava o exercício da medicina como uma missão concedida a ela por Deus! E assim também encarava a sua vocação, tanto que não hesitou em dar a sua vida por ela.
Gianna sempre manifestou o desejo de ter uma família “verdadeiramente cristã”, desejo que está profundamente expresso, com muita ternura e amor, nas cartas que ela escreveu para seu então noivo e mais tarde marido, Pietro Molla.
“Meu queridíssimo Pietro, […]
Pietro, pense em nosso ninho, aquecido pelo nosso amor e alegrado pelas crianças que o Senhor nos dará! É certo que também passaremos por dificuldades, mas se nos amarmos sempre como nos amamos agora, com o auxílio de Deus, saberemos juntos suportá-los. Não é?
Agora, porém, alegremo-nos pela satisfação de amar-nos; sempre me ensinaram que o segredo da felicidade está em viver cada momento e agradecer ao Senhor tudo o que, em Sua bondade, nos envia no dia a dia. Por isso, corações ao alto e vivamos felizes!
Até a próxima, queridíssimo Pietro. Não exijo resposta; escrevi-lhe a fim de passar a tarde com você e para dizer-lhe mais uma vez que o amo muito, muito.
Beijos
Sua Gianna”
Gianna também amava saborear puramente as pequenas alegrias que o Senhor nos concede nessa vida. Ela amava viajar, esquiar, ir ao teatro… Veja o que relata seu marido Pietro sobre sua santa esposa:
“E verdadeiramente sabia gozar tão alegremente e retamente o encanto dos montes e da neve, as viagens, os concertos, o teatro e as festas. Tu me demonstraste que se pode cumprir plenamente a Vontade do Senhor e ser Santos sem renunciar à plenitude das puras e melhores alegrias que a vida e a criação nos oferecem… Deste-me o exemplo de como se pode gozar a vida, a natureza, a música, e o teatro, os montes e as viagens, o amor e a família, com temperança e, para ti, os limites da temperança eram claros: aqueles da lei da Graça de Deus. Sabias ser sóbria.”
Os dois se casaram em 1955, e logo vieram os filhos, em 1956 Pedro Luís, em 1957 Mariolina e em 1959 Laura. Com simplicidade e equilíbrio Gianna harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.
Na sua quarta gravidez em 1961 descobre-se um fibroma em seu útero. Grande é a pressão para que se interrompa a gravidez, mas para Gianna isso era indiscutível. Mesmo sabendo dos riscos, ela passa por procedimentos cirúrgicos e decide continuar a gravidez, sempre suplicando para que a vida do bebê seja preservada.
Pietro relata que, “aproximando-se o período do parto, disse-me explicitamente com tom firme e ao mesmo tempo sereno, com um olhar profundo que não esquecerei jamais: se vocês devem decidir entre mim e a criança, não hesitem, escolham – eu exijo – a criança . Salve-na.”
Na manhã de 21 de abril de 1962 nasce Gianna Emanuela. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo” morre santamente.
Foi beatificada por São João Paulo II no dia 24 de abril de 1994, no Ano Internacional da Família. Em 16 de maio de 2004 é declarada santa.
Deus sempre age em auxílio a sua Igreja e o exemplo de Santa Gianna é um verdadeiro farol a nos iluminar nesses tempos onde a vida dos nascituros é tão desprezada.
Os dois milagres que levaram a beatificação e canonização da Santa se deram no Brasil. O primeiro em 1997, na cidade de Grajaú, no Maranhão, onde Gianna intercedeu pela cura de uma gestante no quarto mês de gestação. Após o milagre ter sido aprovado pelo então Papa São João Paulo II em 1992, ela foi beatificada em 1994. Vale recordar que em 1994 a Santa Sé e a ONU estavam em plena luta sobre as políticas de controle da natalidade e aborto. A Igreja sempre fará ressoar o grito silencioso daqueles que não tem como se defender sozinhos.
O segundo milagre, que levou a canonização deu-se em 2000 na cidade de Franca interior de São Paulo. O milagre foi experimentado por Elisabete Arcolino Comparini, casada com Carlos César. O quarto bebê que haviam concebido começou a passar por sérios problemas, tendo, no terceiro mês, a jovem mãe perdido totalmente o líquido amniótico. A intercessão da então beata Gianna foi pedida, ainda no hospital, na presença do bispo de Franca, Dom Diógenes Matthes. Como Elisabete se recusava a realizar um aborto e devido à intercessão da Beata Gianna Beretta Molla, depois de uma gravidez sem a presença de líquido amniótico – um fato sem explicação científica – no dia 30 de maio de 2000 nasceu Gianna Maria, nome dado em homenagem à beata.
Que ensinamento podemos levar para nós de Santa Giana?
Como podemos observar as escolhas de vida da Santa foram baseadas profundamente na moral, e nos ensinamentos da Santa igreja. O Santo Padre João Paulo II em sua carta Familiaris consortio, enfatiza a importância da missão e dever de formar e servir seus membros para a construção da Igreja doméstica.
Nesta carta somos apresentados aos ensinamentos da Igreja sobre uma vida de santidade dentro das famílias (que devido ao banalizado mundo moderno tem sido tão desacreditada), e podemos então compreender, os motivos e virtudes heroicas de Gianna ao defender a vida, acreditar na providência, lutar por sua missão e vocação!
Em uma citação o Papa nos diz:
“Nasceu assim uma mentalidade contra a vida (anti-life mentality), como emerge de muitas questões atuais: pense-se, por exemplo, num certo pânico derivado dos estudos dos ecólogos e dos futurólogos sobre a demografia, que exageram, às vezes, o perigo do incremento demográfico para a qualidade da vida. Mas a Igreja crê firmemente que a vida humana, mesmo se débil e com sofrimento, é sempre um esplêndido dom do Deus da bondade. Contra o pessimismo e o egoísmo que obscurecem o mundo, a Igreja está do lado da vida: e em cada vida humana sabe descobrir o esplendor daquele «Sim», daquele «Amém» que é o próprio Cristo. Ao «não» que invade e aflige o mundo, contrapõe este «Sim» vivente, defendendo deste modo o homem e o mundo de quantos insidiam e mortificam a vida. A Igreja é chamada a manifestar novamente a todos, com uma firme e mais clara convicção, a vontade de promover, com todos os meios e de defender contra todas as insídias a vida humana, em qualquer condição e estado de desenvolvimento em que se encontre. ”
O exemplo de Gianna diante de dores, sofrimentos, e morte quase eminente, nos demonstra a vontade e valorização da vida, de crer no plano do Senhor para a família, independentemente das circunstâncias.
Como São João Paulo II nos alertou em sua carta vivemos hoje em um mundo que possui uma verdadeira “mentalidade contra a vida”. E isso se demonstra das formas mais diversas e absurdas possíveis, que há anos atrás eram inconcebíveis, mas hoje vem se tornando cada vez mais “naturais”. Desacreditou-se na vida, porque desacreditou-se na santidade, esqueceram que existe um Céu! Por isso o homem opta por esta terra ao invés de visar os bens celestes, muitos até preferem assassinar seus filhinhos que ainda irão nascer em prol de uma estabilidade financeira, por exemplo.
Gianna e sua família entenderam e assimilaram as promessas de eternidade, por isso eles não tiveram medo de se abrirem completamente a vontade de Deus, por mais árdua e penosa que ela fosse.
“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.” (Rm 8,18)
Contemplando a História e vida desta Santa dos nossos tempos, cremos que a Santidade é algo que pode ser alcançado, mesmo dentro do âmbito familiar! E mais do que isso, pode ser palpado se a buscarmos e sonharmos como Gianna sonhou!
Santa Gianna Beretta Molla, rogai por nós!