“Temos todo o direito de acreditar que também a nossa geração foi abrangida pelas palavras da Mãe de Deus, quando glorificava a misericórdia de que participam, “de geração em geração”, aqueles que se deixam guiar pelo temor de Deus. As palavras do Magnificat de Maria têm conteúdo profético, que diz respeito não só ao passado de Israel, mas também a todo o futuro do Povo de Deus sobre a terra”, disse São João Paulo II em 1980. [1]
Jesus revela a expressão máxima da Misericórdia do Pai em Sua Encarnação, Paixão e Morte, por nossa Redenção. Porém, nos Sacramentos e na Vida dos Santos — e em milhões de meio cotidianos —, continuamos a beber da Fonte da Misericórdia do Pai.
As revelações de Nosso Senhor a Santa Faustina Kowalska são um grande dom concedido à Igreja Católica no terceiro milênio, entre elas, está presente a Festa da Divina Misericórdia.

“Desejo que a Festa da Misericórdia seja um abrigo e refúgio para todas as almas. A humanidade não encontrará paz enquanto não se voltar para a fonte da minha misericórdia”[2] , disse Jesus à Santa Faustina Kowalska, santa mística polonesa.
A Festa é citada 37 vezes no decorrer dos escritos da Santa. Jesus revela o desejo de que haja a Pintura do Quadro e que ele fosse abençoado solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa.
“Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia.”[3]
Vinte anos depois de escrever a encíclica “Dives in Misericordia”, ano 2000, São João Paulo II canonizou a irmã polonesa. Durante a Canonização, o Santo Padre instituiu no Calendário Litúrgico de toda a Igreja a Festa da Divina Misericórdia no Segundo Domingo da Páscoa.
São João Paulo II apela à Igreja em nossos tempos, que implore à Deus por Sua Divina Misericórdia, especialmente em tempos críticos como o que vivemos:
“[…] em nenhum momento e em nenhum período da história, especialmente numa época tão crítica como a nossa, pode esquecer a oração que é um grito de súplica à misericórdia de Deus, perante as múltiplas formas do mal que pesam sobre a humanidade e a ameaçam. Tal é o direito e o dever da Igreja, em Cristo Jesus: direito e dever para com Deus e para com os homens. Quanto mais a consciência humana, vítima da secularização, esquecer o próprio significado da palavra «misericórdia», e quanto mais, afastando-se de Deus, se afastar do mistério da misericórdia, tanto mais a Igreja tem o direito e o dever de apelar «com grande clamor» [135] para o Deus da misericórdia. Este «grande clamor», elevado até Deus para implorar a sua misericórdia há-de caracterizar a Igreja do nosso tempo.” [4]

Para fazer com que vivêssemos mais intensamente esta celebração, o Papa São João Paulo II estabeleceu, em 2002, através de um decreto com “vigor perpétuo”, que este Domingo da Divina Misericórdia fosse enriquecido com a Indulgência Plenária, entre outras razões, para que os fiéis pudessem “alimentar uma caridade crescente para com Deus e o próximo”.
Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da “Misericórdia Divina”, em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti”).
Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas.
Também aos homens do mar, que realizam o seu dever na grande extensão do mar; aos numerosos irmãos, que os desastres da guerra, as vicissitudes políticas, a inclemência dos lugares e outras causas do género, afastaram da pátria; aos enfermos e a quantos os assistem e a todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma actividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia, se com total detestação de qualquer pecado, como foi dito acima, e com a intenção de observar, logo que seja possível, as três habituais condições, recitem, diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, Confio em Ti”).
Se nem sequer isto pode ser feito, naquele mesmo dia poderão obter a Indulgência plenária todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incómodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária.
Aproveitemos com ardor e compromisso esta graça que a Igreja e o Próprio Cristo nos dão.
Referências:
[1] Encíclica “Dives in Misericordia”, 1980. 10
[2] Diário de Santa Faustina, 699
[3] Idem, 49
[4] Encíclica “Dives in Misericordia”, 1980. 15