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Mistério de Amor: a Santa Eucaristia

Salve Maria Puríssima!

Na quinta-feira santa a liturgia celebra o início do Tríduo Pascal com celebração da Instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e com a benção dos Santos Óleos.

Nesse artigo iremos meditar junto com São Josemaria Escrivá o Memorial da Paixão do nosso Senhor: a Instituição da Eucaristia!

“Jesus ficou na Eucaristia por amor…, por ti ” (São Josemaria Escrivá)

Veja o que escreve São Josemaria a respeito desse momento tão importante para nós:

“Tenhamos em mente a experiência tão humana da despedida de duas pessoas que se amam. Desejariam permanecer sempre juntas, mas o dever – seja ele qual for –  obriga-as a afastar-se uma da outra. Não podem continuar sem se separarem, como gostariam. Nessas situações, o amor humano, que, por maior que seja, é sempre limitado, recorre a um símbolo: as pessoas que se despedem trocam lembranças entre si, possivelmente uma fotografia, com uma dedicatória tão ardente que é de admirar que o papel não se queime. Mas não conseguem muito mais, pois o poder das criaturas não vai tão longe quanto o seu querer.

Porém, o Senhor pode o que nós não podemos. Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não nos deixa um símbolo, mas a própria realidade: fica Ele mesmo. Irá para o Pai, mas permanecerá com os homens. Não nos deixará um simples presente que nos lembre a sua memória, uma imagem que se dilua com o tempo, como a fotografia que em breve se esvai, amarelece e perde sentido para os que não tenham sido protagonistas daquele momento amoroso. Sob as espécies do pão e do vinho encontra-se o próprio Cristo, realmente presente com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade.

Quem nunca passou por uma despedida? Quando estamos próximos desse momento queremos sempre dar uma lembrança para aquelas pessoas que deixarão saudade em nossos corações. Até mesmo quando alguém querido se vai para encontrar-se com Deus, sentimos falta dessa pessoa, recordamos suas memórias através das suas lembranças, fotografias, cartas, objetos, etc.

Também o Senhor pensou dessa forma quando se preparava para entregar-Se todo inteiro por nós:

“Disse-lhes: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus” (Lc 22, 15-16)

Mas, o nosso Senhor é Deus, e o Deus do impossível. Sendo assim, a última ceia foi muito mais do que uma “simples refeição”. Nesta noite o Senhor decide dar-Se como alimento sagrado da nossa alma para toda a humanidade. Sim, nesta noite, aquele mesmo Menino Deus que é colocado sob a manjedoura ao nascer, lugar onde os animais comiam, se dá como alimento para os homens.
É dessa forma que o Senhor decide deixar a sua lembrança, dando-se como alimento o Senhor institui o meu memorial.

“Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19)

Não é à toa que a Igreja diz que a Eucaristia é o Memorial da Páscoa de Cristo. E, além do mais, “quando a Igreja celebra a Eucaristia, rememora a páscoa de Cristo, e esta se torna presente: o sacrifício que Cristo ofereceu, uma vez por todas na cruz, torna-se sempre atual” (CIC-1364)

A Eucaristia é, pois, um sacrifício, porque representa (torna presente) o sacrifício da cruz, porque é dele o memorial e porque aplica o seu fruto:

Cristo «nosso Deus e Senhor […], ofereceu-Se a Si mesmo a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, para realizar em favor deles [homens] uma redenção eterna. No entanto, porque após a sua morte não se devia extinguir o seu sacerdócio (Heb 724-27), na última ceia, “na noite em que foi entregue” (1 Cor 11, 13). […] Ele [quis deixar] à Igreja, sua esposa bem-amada, um sacrifício visível (como o exige a natureza humana), em que fosse representado o sacrifício cruento que ia realizar uma vez por todas na cruz, perpetuando a sua memória até ao fim dos séculos e aplicando a sua eficácia salvífica à remissão dos pecados que nós cometemos cada dia»” (CIC-1366)

É por isso que os apóstolos foram ordenados sacerdotes, para reviver o mistério da cruz, no altar, ao celebrar a Eucaristia. O Memorial de Cristo não é apenas uma lembrança, mas o reviver do seu sacrifício a cada celebração Eucarística.

Também não é à toa que, Cristo está presente de inúmeras maneiras na sua Igreja, mas está sobretudo presente sob as espécies eucarísticas.

“O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela «como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos». No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo». «Esta presença chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substanciale porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem»” (CIC -1374)

O que fazer diante da humildade desse Deus que se esconde através das espécies do pão e do vinho para se fazer presença em nossa vida? Só resta-nos adorar este humilde Senhor. Contemplando a grandeza daquele que se esconde, a fim de um dia em fim pudermos contemplá-lO plenamente, estar em sua presença, mas não mais sob esse véu que O cobre, contemplar a sua pureza não mais apenas sob a brancura da hóstia santa, e sim diante da Sua Face Adorável.

Este ano muitos não poderão participar, com sua presença física, da Semana Santa. Várias pessoas já estão a dias, semanas, meses sem receber Jesus, presente substancialmente nesse Sacramento.

E, como está o nosso coração diante dessa realidade? Será que a nossa última comunhão foi bem feita? Como estava o nosso coração para receber Jesus?

Nesse tempo de quarentena, não poderemos recebe-lO, mas que possamos usar este tempo para preparar nosso coração como preparam as fiéis almas.

“Eia alma fiel, para tal Esposo prepara o teu coração, de modo que se digne de vir e habitar em ti” (Imitação de Cristo II,1)

Agora estamos privados dos sacramentos, mas Jesus continua lá, escondido nos Sacrários de todo o mundo. Continua realizando novamente de forma incruenta o seu Santo Sacrifício em todas as Missas que os Padres continuam celebrando de portas fechadas. Jesus que nos amou até o fim, continua nos amando e doando-Se pela humanidade.

Que possamos então devotamente adorar o nosso Deus, já que não podemos visita-Lo, peçamos que o Nosso Anjo da Guarda o faça. E, não deixemos de pedir que Jesus venha ao menos espiritualmente em nosso coração ao assistirmos as Santas Missas, seja pela internet, rádio ou televisão.

“Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração”. (Rm 12,12)

Então, quando tivermos a oportunidade de comungar novamente, de adorar e receber a Deus em sua presença substancial, que possamos fazer isso com muito mais zelo, fervor e amor do que das outras vezes.

Cristo se entregou e quis ficar conosco. Que possamos nos entregar a este Senhor e ficar com Ele!

São Josemaria Escrivá, rogai por nós!

Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e modelo dos adoradores, rogai por nós que recorremos a Vós!

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