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A caridade não é sentimento

Salve Maria Santíssima!

Nem sempre a convivência com nossos irmãos é fácil. Por vezes parece que suas imperfeições nos saltam aos olhos, o que endurece o nosso coração ao invés de dilata-lo para o amor e para a doação.

Santa Teresinha do Menino Jesus nos deixou um verdadeiro tesouro espiritual com suas experiências vivendo o amor fraterno. Sua história nos ajuda a compreender que se amamos só quando é fácil, não amamos de verdade. O amor verdadeiro dói, como doeu para Cristo na Cruz. Por isso, a Santa disse:

“Eu cantarei, mesmo que tiver que colher minhas flores no meio de espinhos e meu canto será tanto mais melodioso quanto mais compridos e picantes forem os espinhos.”

Vejamos o que essa santa e doutora da Igreja tem a nos ensinar:

“Quando o demônio tenta colocar ante os olhos de minha alma os defeitos desta ou daquela irmã, que me seja menos simpática, apresso-me em procurar suas virtudes, seus bons desejos. Digo entre mim que, se a vi fraquejar uma vez, pode ela muito bem ter alcançado grande número de vitórias, e esconde-as por humildade, e mesmo aquilo que me parece falta, pode muito bem ser ato de virtude, por causa da intenção. ”

Santa Teresa via no rosto das Irmãs de clausura que a desagradavam a face do Cristo, e agradecia a Deus pela vida da Irmãs. Teresa compreendeu que assim como o artista gosta de ser elogiado por suas obras o Criador é agradado quando O elogiamos na criação.

Assim, em vez de ponderar os defeitos das irmãs ela preocupava-se em amar, mesmo as que lhe eram mais desagradáveis. Considerando que “a caridade não consiste em sentimentos mas em atitudes”, ela dedicou-se a fazer pelos outros o que faria pela pessoa a quem ela mais amasse. A uma irmã em especial que em tudo, diz a Santa, a desagradava, chamada Irmã Teresa de Santo Agostinho, ela exercitou isso de forma heroica: amando com atitudes concretas e não de acordo com seu estado de humor.

Teresa de Santo Agostinho precisava de alguém para ajudá-la no seu serviço, mas ninguém conseguia trabalhar com ela. Era preciso “sentar-se assim, segurar agulha assim…” e uma série de mini regras que ela impunha. Aborrecia todas as irmãs, que fugiam dela. Um dia, Teresa vê que a Irmã não tinha ajuda e por caridade oferece-se de ajudar a Irmã para a Madre.
Santa Teresa vai, e amavelmente senta-se, pega a agulha e faz todo o trabalho segundo as prescrições da Irmã.  A santa ainda relata que: “Fazia por lhe prestar todos os obséquios possíveis, e quando tinha a tentação de responder-lhe de modo desagradável, contentava-me de lhe esboçar o mais amável sorriso, forcejando por desviar a conversa”.

Depois da morte de Irmã Teresa, falava-se sobre ela em Comunidade. Todas lhe faziam elogios e a Irmã que ela havia ajudado declara “oh, sim! Irmã Teresa era tão gentil, tão boa, tão amável! Enfim, no que me concerne, não tenho do que me lamentar a seu respeito, pois todo o tempo em que ela esteve comigo eu a fiz muito feliz!” Teresa amou tanto essa Irmã a ponto de ela nem desconfiar do quanto a desagradava.

Que a exemplo de Santa Teresinha e por sua intercessão possamos rogar a Deus essa graça de amar de forma concreta, com atitudes constantes e desinteressadas e não de acordo com os nossos sentimentos. E assim, através da graça de Deus, também contemplar o Jesus que se esconde no interior das almas e adoça toda a amargura, mesmo a do nosso próprio coração.

 

Autoras: Fernanda Akuri e Beatriz Nomura da equipe da Missão Jovens da Cruz.

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