Salve Maria!
Cristo nos prometeu “[…] todo aquele que pede, recebe.” São Mateus 7,8. Mas quantas vezes não pedimos coisas a Deus e não as recebemos? Pode Deus se esquecer da promessa que nos fez?
Quem nunca rezou por um doente e ele não foi curado, por um sofredor e este não deixou de sofrer?
Não somos atendidos porque nossa oração não é como a de Nosso Senhor em sua agonia: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua”. São Lucas 22, 42. Nós somos filhos mimados e imaturos de Deus, Deus “não nos atende” porque não queremos ouvir e aceitar o que é melhor para nós. Nós queremos ser deus do próprio Deus e impô-lo o melhor, de acordo com nosso “achismo”.
Estamos cegados, nos dizemos cristãos mas não vivemos como o Cristo, que disse:
“Eu desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas sim para cumprir a daquele que me enviou” Jo 6, 38
Quantos se fossem pobre e doentes, não cometeriam os pecados que comentem sendo ricos e saudáveis. Por isso nega o Senhor para alguns a saúde do corpo e os bens temporais: por amor! Deveríamos ver esses “não” de Deus como um ato amabilíssimo. Quando Deus não nos dá o que pedimos é porque nos dá algo infinitamente melhor, deixa-nos em meio a tempestade a fim de provar nossa fidelidade para nosso maior proveito.
Quando Cristo nos promete “[…] todo aquele que pede, recebe.” está dizendo da graça espiritual, e não da temporal. Por que a todo tempo necessitamos do Espírito Santo, mas as graças temporais Deus sabe qual a melhor forma de concede-las. Não podemos também, confundir as graças espirituais com carências mesquinhas mascaradas de desejos espirituais. Beato Suso, falando de si mesmo, exclama:
“Eu antes queria ser o mais vil inseto que se arrasta pela terra, pela vontade de Deus, do que ser um Serafim por minha vontade”
Explica-nos Santo Afonso Maria de Ligório em seu livro “A oração” que se pedimos para Deus nos livrar das tentações e isso não acontece devemos compreender de que é para o nosso próprio bem. A tentação não é pecado, somente o consentimento.
Nesse sentido, São Paulo pedia a Deus que o livrasse das tentações: “Permitiu Deus que sentisse em minha carne um estímulo, que é o anjo de Satanás, para me esbofetar; por cuja causa roguei ao Senhor três vezes que o afastasse de mim” (2Cor 12,7). Mas o Senhor o respondeu: “Basta-te a minha graça”.
Quando tentados no pensamento, nossa súplica deve ser: “Senhor, livrai-me desse tormento, se assim for conveniente para minha salvação; se não dai-me ao menos o auxílio para resistir-lhe”.
Que possamos esclamar “Dai-me, Senhor, unicamente o que for necessário para viver” Pr 30,8.
Salve Roma!