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A necessidade de aprender a lidar com a Frustração

Por Kathleen Solano

Todo jovem, todo ser humano, possui o ardente desejo de alcançar a total felicidade. O Papa Emérito Bento XVI noz diz: “A aspiração pela alegria está impressa no íntimo do ser humano. Além das satisfações imediatas e passageiras, o nosso coração procura a alegria profunda, total e duradoura, que possa dar sabor à existência”.

É em busca desta felicidade que desenhamos nossos planos e traçamos inúmeras metas e, com isto, criamos expectativas a respeito de nosso futuro. Com esta atitude abrimos, sem perceber, portas para a frustração, pois ela somente acontece na nossa vida em resposta às expectativas criadas.

Ao planejar nossos próximos passos, não nos damos conta que podemos falhar, que os planos podem não ocorrer como o planejado e então acabamos frustrados. Entretanto, sabemos que o fracasso de uma situação não está relacionado diretamente a algum erro nosso, porque existem muitas coisas que não dependem de nós. Muitas vezes, colocamos toda a nossa expectativa em uma pessoa, por exemplo, e esquecemos que todo o ser humano é falho, comete erros, exatamente como nós.

Quando colocamos a frustração no centro de nossas vidas, ela é capaz de gerar muitos sentimentos negativos dentro de nós, entre eles está a revolta contra Deus. Para entender melhor como a frustração age em nossa vida, prestemos atenção neste relato:

“Não sei se você já teve o seu corpo repleto de lama – eu já estive literalmente coberto por ela. No início, a lama é fria, pegajosa e acaba provocando certa aversão. No entanto, com o tempo, a lama começa a endurecer no próprio corpo, ao ponto de tornar-se como uma espécie de crosta. E, quando você arrisca retirar um pouco dessa lama que se tornou crosta, acaba puxando a pele e os pelos do corpo. Existe dor, existe incômodo com a lama no corpo e ao ter que limpá-lo” (Jonathan Ferreira para @cancaonova).

A lama sobre o corpo é como a frustração em nossa vida. Ela nos prende, nos fere e, por não conseguirmos arrancá-la com facilidade, nos traz o sentimento de revolta, revolta contra Deus. É neste momento que dizemos: “Por que o Senhor permite que eu passe por tudo isso? Por que eu sofro tanto?”. Com este pensamento nos afastamos do Deus de amor, não nos permitindo amar e ser a Sua imagem e semelhança. Tudo isto atenta a dignidade do homem ferindo-o profundamente.

Na frustração, somos tentados a imitar o mal. A tentação que não podemos ceder é de imitar o mal na hora das frustrações, por isso a importância de se conhecer para saber como lidar com esses sentimentos contrários a nós sem cair na tentação de escolher o mal caminho.

Seguindo este caminho que é contrário a Deus, entramos a bordo de navios que poderão nos levar ao longe e não mais trazer em terra firme. É preciso que busquemos o equilíbrio próprio de quem está solidificado nos valores morais e cristãos. Sem essa formação, como que pisando em areia movediça, iremos afundar no mar das frustrações, nos machucando profundamente.

Na narração da terceira aparição de Jesus após sua Ressurreição, acontecida na Galileia (Jo 21), Simão Pedro se direciona aos discípulos presentes e lhes diz: “Vou pescar”. E eles responderam: “Também nós vamos contigo”. Entraram na barca, mas nada pescaram naquela noite.

Jesus lhes diz: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Eles deram atenção ao que o Mestre falou e lançaram as redes. Foram cento e cinquenta e três grandes peixes que os discípulos pescaram, e trouxeram à margem sem que a rede se rompesse.

Algumas feridas nos acompanham por toda a vida, por mais que nos levantemos e deixemos para trás as frustrações passadas, não deixamos as feridas que nos marcaram naquela situação; elas voltam em forma de mágoa, de sentimento de culpa, de dúvida. Por isso, após a morte do Senhor, os discípulos ainda tinham medo, e nesta situação, não tinham esperança e nada conseguiam.

Entretanto, em meio às frustrações, decepções e ilusões que passamos nesta vida, é preciso silenciar nosso coração e escutar a voz do Mestre; dar atenção primeiramente a Ele para sermos curados. Se quisermos pescar, é preciso ouvir a voz Daquele que sabe como fazê-lo. A vida segue para frente, porque o Ressuscitado não nos deixa no túmulo, mas Ele nos levanta e nos leva adiante.

O Mestre Jesus ensina e consola as multidões e Ele vem em socorro, em auxílio, aos fracassos humanos. Pedro passou a noite pescando e não pescou nada. Que frustração, que tristeza! A nossa vida, muitas vezes, é assim também. Nós tentamos, de diversas formas, conseguir isso e aquilo; melhorar no nosso trabalho, em nossos estudos, melhorar as coisas em nossa família, sermos mais produtivos e eficientes, mas parece que só regredimos e com isto nos frustramos.

Mesmo em meio a tantas desilusões, é bom que continuemos a traçar planos para o futuro, pois é necessário que tenhamos uma direção a seguir, mas tais planos não podem ser rígidos, precisam ter flexibilidade, pois dificilmente as coisas acontecem no momento exato que desejamos, do jeito exato que planejamos; tudo acontece segundo a vontade do Pai. Por isso, temos que estar sempre prontos para revê-los e refazê-los.

O Senhor nos diz, fala ao nosso coração: “Avance, vá mais a fundo, não fique parado, não fique estacionado, não fique frustrado e deprimido!” O caminho é estreito mas os horizontes são mais largos, a vida em Cristo tem muito mais para nós. Olhe para o seu erro e siga adiante. Uma vida entregue ao Senhor, nas profundezas de Tua Misericóridoa, há de nos confortar.

“Deus precisou de apenas uma palavra para criar-nos, mas de seu sangue para redimir-nos. Se às vezes te sentes frustrado por tuas misérias, recorda quanto custaste” (Santo Agostinho).

Formação com adaptações do https://formacao.cancaonova.com.

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