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Escapulário: O que é e como usar

Escapulário é uma peça de vestuário bastante comum na Idade Média. Tratava-se de duas longas tiras de pano — uma que pendia sobre o peito, outra que caía às costas — ligadas por largas alças, colocadas sobre os ombros. Daí procede seu nome. Escapulário vem da palavra latina scapula, que quer dizer “espáduas, ombros”.

A origem do escapulário de Nossa Senhora do Carmo está ligada a um difícil momento histórico da Ordem Carmelitana.

Os eremitas que viviam nas grutas do Monte Carmelo buscando, à semelhança de Maria, a intimidade com Deus no silêncio e na oração, viram-se obrigados a migrar, após a tomada da Terra Santa, para a Europa. Uma vez chegados no Ocidente, encontraram vários obstáculos para aí se estabelecerem. De um lado, os carmelitas tinham um estilo de vida bastante diferente das demais Ordens religiosas; de outro, a crise econômica pela qual passava então o continente europeu não os tornava benquistos, pois representavam mais alguém a compartilhar as pobres esmolas dos fiéis. O Carmelo corria até mesmo o risco de se extinguir.

Na época, era Superior Geral Frei Simão Stock. A tradição nos conta que ele recorria à Maria sem cessar, com muito fervor, pedindo-lhe que manifestasse sua proteção aos carmelitas e que não deixasse morrer a Ordem que nascera para honrá-la e imitá-la. E a oração de São Simão Stock chegou ao coração materno de Nossa Senhora…

Segundo a tradição da Ordem e antigos testemunhos, no dia 16 de julho de 1251 — e é por isso que a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo neste dia do mês de julho —, a Virgem Maria apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário dizendo: ” O escapulário será para ti um privilégio, e quem morrer piedosamente revestido com ele será preservado do fim eterno”.

Desde então, o escapulário passou a fazer parte integrante do hábito dos carmelitas.

Mas o que é o escapulário?

Escapulário é uma peça de vestuário bastante comum na Idade Média. Tratava-se de duas longas tiras de pano — uma que pendia sobre o peito, outra que caía às costas — ligadas por largas alças, colocadas sobre os ombros. Daí procede seu nome. Escapulário vem da palavra latina scapula, que quer dizer “espáduas, ombros”. Seria uma espécie de avental a ser vestido sobre a túnica para protegê-la durante o trabalho, para não sujá-la ou estragá-la.

Nossa Senhora, ao dar o escapulário para São Simão Stock, quis simbolizar a proteção que exerceria sobre todos os membros da Ordem. Os carmelitas, de sua parte, também viram no uso do escapulário uma maneira externa de manifestar a razão principal de suas vidas: revestirem-se das virtudes de Maria.

É este o fundamento da devoção ao escapulário: pedir a proteção de Maria e empenhar-se em imitar sua vida, procurando praticar as mesmas virtudes que ela praticou.

Revestir-se de Maria
Maria, por ser a Mãe de Deus, foi preservada de toda mancha de pecado. Em sua vida, foi sempre agradável a Deus, tomando atitudes que eram conformes à vontade divina e praticando as virtudes com a máxima perfeição. Vejamos algumas delas:

Maria era uma alma de oração.
Estava sempre atenta para escutar e acolher a Palavra de Deus; louvava o Senhor, cantando as maravilhas nela operadas; meditava em seu coração os fatos de sua vida.

Maria aceitava com amor a vontade de Deus.
Deu à luz Jesus num estábulo; abandonou sua terra, fugindo para o Egito; aos pés da Cruz, vendo seu Filho morrer, renovou seu “sim” ao Pai.

Maria tinha um espírito apostólico.
Abandonada ao plano da Redenção, soube unir-se à imolação de seu Filho e oferecer seu coração transpassado em beneficio da humanidade.

Maria praticava a caridade e era solícita para com todos.
Foi em auxílio de sua prima Isabel, socorreu os noivos de Caná.

Maria vivia de fé e de esperança, pois acreditou nas palavras do Anjo, não duvidou que Jesus poderia mudar a água em vinho, esperava a ressurreição.

Maria tinha um coração eclesial. Amava a Igreja que seu Filho fundara e, por isso, rezou no Cenáculo à espera do Espírito Santo. Não só ficava em oração com os apóstolos, mas os amparava espiritualmente em suas
missões na Igreja nascente.

E, olhando para o Evangelho, quantas coisas ainda poderiam ser lembradas!

Não se trata, evidentemente, de um voto religioso, mas sim de um “sacramental”, verdadeiro instrumento da graça divina para que nos convertamos e levemos uma vida nova e de fervorosa oração. Inúmeras pessoas foram, de fato, conduzidas a Deus por meio dessa devoção, sem falar de tantas outras que, por misericórdia divina, receberam graças extraordinárias no momento de sua morte e salvaram as suas almas.

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo é garantia incondicional de salvação, portanto, para aqueles que fazem a vontade de seu Filho. Nossa esperança, ao trazermos sobre os ombros esse piedosos sacramental, é que ele seja “força salvadora de Deus” para nós que cremos (cf. Rm 1, 16), assim como era curado, durante a vida terrena de Jesus, quem quer que tocasse ainda que fosse somente nas orlas do Seu manto (cf. Mc 5, 25-34).

Que ao usar o escapulário, enfim, você não só se sinta protegido pela Virgem Maria, mas, sobretudo, cresça na imitação de suas virtudes.

Como usar o escapulário

O escapulário deve ser usado constantemente, de dia e de noite. Quando, por alguma razão, seu uso se torne dificultoso, a Igreja dá a possibilidade de substituí-lo por uma medalha em que, na frente, esteja cunhada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e, atrás, a do Sagrado Coração de Jesus. É a medalha de Nossa Senhora do Carmo que, no lugar do escapulário, deve ser sempre carregada com a pessoa.

Da primeira vez que se recebe o escapulário, é necessário apresentá-lo ao sacerdote, a fim de que ele o abençoe e o imponha. Por ser confeccionado com tecido, o escapulário desgasta-se facilmente. Uma vez gasto, basta trocá-lo por outro, não sendo, então, mais preciso recorrer ao sacerdote.

Muitas pessoas se perguntam como se desfazerem do escapulário velho. Dado que se trata de um sacramental e, portanto, um objeto religioso que recebeu uma bênção, o ideal seria queimá-lo de modo que ele se deteriorasse completamente. Se, por qualquer motivo, isso se apresentar difícil, pode-se enterrá-lo de maneira que, com o tempo, a umidade da terra venha a apodrecê-lo, causando sua decomposição. Se nada disso for possível, o ideal é entregá-lo a uma igreja onde o sacristão se encarregará de desfazer-se dele.

O escapulário e as indulgências

É também interessante lembrar que o uso do escapulário permite aos fiéis lucrarem algumas indulgências:

Indulgência parcial – O uso piedoso do escapulário ou da medalha (por exemplo: um pensamento, uma lembrança, um olhar, toque ou beijo etc.), além de favorecer a união com Maria Santíssima e com Deus, obtém uma indulgência parcial, cujo valor aumenta na proporção das disposições de piedade e fervor da pessoa.

Indulgência plenária – Pode-se lucrá-la no dia em que se recebe pela primeira vez o escapulário, na festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho), de Santa Teresa de Ávila (15 de outubro), de São João da Cruz (14 de dezembro), de Santo Elias (20 de julho), de Santa Teresinha do Menino Jesus (1º de outubro), de todos os santos carmelitas (14 de novembro) e de São Simão Stock (16 de maio).

Para lucrar tais indulgências plenárias, são exigidas as seguintes condições:
Confissão, Comunhão eucarística, oração pelo Sumo Pontífice (por exemplo: um Pai-nosso e uma Ave-Maria);
propósito firme de querer observar os compromissos da associação do escapulário.

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