Foi a inveja do demônio que levou Adão e Eva a pecar no início da humanidade, como diz no livro da sabedoria:
“É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio provalá-la-ão”. (Sb 2, 24).
Nesta passagem podemos ver a central razão pela qual o demônio tenta o homem desde seu início: pela inveja.
O demônio trazia dentro de si um ódio em ver o homem e a mulher serem uma tão bela criação à imagem e semelhança de Deus, e além do mais, sendo colocados no Paraíso das delícias de Deus, ou seja, uma perfeita amizade e comunhão, participando de sua Vida Divina e Sua Presença.
Ao ver tudo o que o homem recebeu de Deus não suportou e foi tomado pela inveja.
A inveja é uma companheira daquele que não suporta o sucesso do outro, e que nunca se conforma em ver outros em uma situação melhor que ele mesmo. Está sempre cercado de soberba. Sempre deseja o mal dos outros, torcendo para que as atividades e trabalhos seja seguidos do fracasso.
Santo Agostinho nos ajuda a entender melhor a gravidade da inveja:
“Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo de coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, apresentar-se com êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria”.
Mas como combater esse pecado ?
Precisamos uns dos outros para a construção do Reino de Deus, e ninguém tem condições de fazer nada sozinho. Por isso Deus distribui dons a cada um de acordo com a necessidade para o serviço da Igreja: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste. 22.Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23.eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim.” (Jo 17, 21-23)
Quando se trabalha para Deus sem a reta intenção e puro amor, perde-se os méritos de boa ação.
Que possamos então olhar para nosso irmão como um membro de Cristo. Tirar de nosso coração toda auto-suficiência e soberba. Assim, não deixamos nenhuma rivalidade e inveja entre os membros que juntos formam um só corpo.