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“Não sou exemplo pra ninguém…”

Sempre escuto dos jovens, principalmente os que estão servindo nas obras a expressão “Nós não somos exemplos para ninguém”, ou ainda “Não olhem para nossas ações, olhem para o exemplo de Jesus”. E corretíssimo!

São Pedro em sua primeira carta nos ensina:

“Também Cristo pa­deceu por vós, deixando-vos exemplo para que sigais os Seus passos”.

Jesus, junto da Virgem Santíssima e do Glorioso São José são os moldes perfeitos para seguirmos, porém o alerta é para quando usamos o “Não somos exemplos” como uma fuga para uma vida sem coerência com as belas palavras.

São Paulo foi um homem que teve “determinada determinação” por Cristo. Viveu com audácia e bravura no anúncio do Evangelho, não só com palavras, mas com uma vida de santidade que ecoa na Santa Igreja há 2 mil anos.

Tão firme em buscar as coisas do alto foi São Paulo a ponto de dizer: “Tornai-vos meus imitadores” (cf. 1 Cor 11,1). Ele não nos diz isso com arrogância e soberba, mas com a autoridade de um homem que não tinha medo de combater as obras do mundo e da carne.

E mais! Sabia que a força que tinha em sua alma e em seu corpo não vinham dele, mas do Altíssimo! Lutava e combatia com a força de Deus. Ele sabia da força de impacto de um testemunho de santidade. Um cristão católico que tem medo de que olhem para seu testemunho, ou sofre de timidez ou de falta de conversão.

Padre Faus nos diz:

“Se eu sou uma pessoa sincera, constante, organizada, leal à palavra dada e fiel aos compromissos, sou luz. Os outros – filhos alunos, etc. – , junto de mim, vêem claro e sentem-se seguros. Mas se sou pessoa mentirosa, inconstante, desordenada e volúvel, sou sombra. Os que dependem de mim ficam confusos, inseguros, não conseguem avaliar o alcance das minhas palavras, das minhas atitudes, das minhas promessas; em suma, não podem contar comigo como um farol orientador nem como um apoio.”

Padre Faus em “A força do Exemplo” nos diz que “o melhor educador é o exemplo”. E isso é muito claro na vida de Jesus e na vida dos santos. Mais do que belos sermões, foram pessoas que derramaram seu sangue por uma vida coerente com o Evangelho.

Vós sois a luz do mundo […]. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mat 5, 14.16). A luz entra pelos olhos. O que os olhos enxergam em plena claridade fala por si, não precisa de palavras nem, muito menos, de “palavreado” para se explicar. Assim é o bom exemplo, e assim o apreciaram sempre os grandes homens, sobretudo os santos. Já Santo Inácio de Antioquia, o bispo mártir do século II, enquanto era conduzido a Roma para ser atirado aos leões, escrevia aos Efésios: “É melhor calar-se e ser do que falar e não ser. É maravilhoso ensinar, quando se faz o que se diz […]. Aquele que compreende verdadeiramente a palavra de Jesus pode entender o seu silêncio [ou seja, o que os seus exemplos “dizem” sem palavras]; e então será perfeito, porque atuará de acordo com a sua palavra, e se manifestará também mediante o seu silêncio [mediante o que faz sem falar]”Carta aos Efésios, n. 15

O doce Santo Antônio de Pádua adotava um tom santamente irado quando falava do exemplo: “É viva a palavra quando são as ações que falam. Cessem, peço, os discursos, falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras” Hoje, a pedagogia científica insiste cada vez mais no valor insubstituível da chamada educação invisível da força exemplar das convicções e das atitudes que as encarnam. A imagem da luz é simples. A boa luz permite enxergar bem, sem confusões; mostra perigos que a sombra ocultaria; ilumina referenciais da paisagem e dos caminhos que a noite encobriria; a luz também aquece, estimula a vitalidade e favorece a alegria. Poderíamos dizer que os que irradiam a claridade do bom exemplo têm todas essas características da luz.

A luz da santidade é uma força exemplar e invisível que arrasta multidões.

Claro que o exemplo e o testemunho de vida não são apenas para mostrar aos outros, mas para nossa salvação e salvação de tantos. “Por que, então, me chamais de ‘Senhor! Senhor! ’, mas não fazeis o que eu digo?” retrata São Lucas no Evangelho (cf. Lc 6, 46).

O grande segredo para isso tudo está na continuação da frase de São Paulo: “Tornai-vos meus imitadores, como eu o sou de Cristo.” (cf. 1 Cor 11,1). Sermos exemplo para o próximo não é para que brilhe a “nossa” luz, isso seria um grande pecado. Sermos exemplos é como diz São João Batista: “Que eu diminua para que Ele cresça” (cf. Jo 3,30) , podendo assim dizer: “Não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim” (cf. Gl 2,20).

E não é esse o segredo da santidade? Diminuir a nossa voz, o nosso querer, o nosso egoísmo, para crescer em nós a voz de Deus, o amor de Deus e o servir ao próximo?

Que os outros olhem para nós e enxerguem a Cristo: o abraço de Cristo, a voz de Cristo, o olhar de Cristo, o agir de Cristo. Não por nossos esforços, mas pela graça de Deus que se derrama pelas mãos da Santíssima Virgem.

Salve Maria!

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