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A Virtude da Paciência

Diz São Tiago em sua Carta que somos felizes quando passarmos por diversas provações, porque elas geram em nós a paciência, diz também que ela faz florescer em nós a perfeição. [1]

Diz São Francisco de Sales, que foi bispo e é doutor da Igreja: “O sofrimento aceito com paciência é o mais rápido caminho da santificação”.

Isto mostra toda importância da Paciência no crescimento da vida espiritual. A paciência é um martírio, um martírio por amor a Deus do nosso querer, das nossas vontades, é uma forma de nos abandonarmos em Deus e nos santificarmos. Foi pela paciência que Jó venceu as provações e agradou a Deus.

A paciência pode ser dividida em duas, a paciência para com nós mesmos e a para coisas externas.

Devemos respeitar nosso processo, muitas vezes nos chocando com a nossa realidade de pecadores e fracos não conseguimos aceitar essa realidade, mas foi dessa forma que os santos alcançaram sua santidade: chocando-se com si mesmos, aceitando suas misérias e confiando em um Deus que é misericórdia e acolhimento. Quando rezar e ser quem somos é difícil, nós precisamos manter-nos com paciência, permitindo que essa virtude seja trabalhada em nós.

Quando se trata dos defeitos dos outros, além da caridade é necessário muita paciência, São Jose Maria nos diz algo muito interessante:

‘’Se és tão miserável, como estranhas que os outros tenham misérias? ‘’ [2]

‘’De acordo: essa pessoa tem sido má contigo. – Mas não tens sido tu pior com Deus?’’ [3]

Quando é difícil caminhar depressa, então é preciso ter paciência e aceitar caminhar devagar. José e Maria salvaram o Menino das mãos de Herodes, indo passo a passo até o Egito, sem dar passos maiores que as próprias pernas.

O oposto da paciência é a pressa, que é inimiga da perfeição e dos planos de Deus, que tem o tempo certo para se realizar.

Quando os afazeres diários se tornam monótonos e cansativos, precisamos fazer com paciência, oferecendo à Deus, pela salvação própria e dos irmãos. Foi assim que viveram os verdadeiros filhos de Deus.

Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja, nos ensina:

“Nada te perturbe; nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda; a paciência tudo alcança.
Quem a Deus tem nada lhe falta: Só Deus Basta!”

A paciência nos impede o desespero e nos faz confiantes em Deus, é virtude. Nosso maior modelo é o próprio Deus, que tudo sofreu e viveu pacientemente: sem se zangar, devolver ou revidar, apenas confiando no Senhor. A Santíssima Virgem Maria, é também nosso grande modelo: sabendo que uma espada transpassaria sua alma, soube esperar o momento certo, guardando tudo em seu coração.

Santa Teresinha, também doutora da Igreja, conta em seus escritos, que aos 15 anos aguardou durante três messes para poder entrar no Carmelo, e ao invés de passar este período ansiosa, reclamando da espera e demora, diz que foram ricos em graças para sua alma, dedicou tempo e sua vida as pequenas (aos olhos humanos) e grandes (aos olhos de Deus) mortificações, diz então que o tempo passou rapidamente e chegou o dia que seu coração ardentemente desejava.

Soframos pacientemente, confiantes que se nos molestarmos neste mundo, estaremos sendo prudentes e escolhendo dos males o menor, ao invés do doloroso sofrimento do purgatório. Deus te abençoe e faça paciente!

[1] 1 Tg 1-4

[2] Caminho, n. 446

[3] Caminho, n. 686

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